Trump promete ofensiva digital contra as facções brasileiras
Por Alexandre Garcia
O presidente dos Estados Unidos está agindo mais uma vez contra o Comando Vermelho e o PCC. Ele publicou uma ordem, colocando todos os meios do governo dos Estados Unidos, em parceria com as empresas privadas da área digital, à disposição de uma guerra cibernética contra as facções. Assim como Israel tem um escudo aéreo para impedir que os mísseis atinjam o país, algo parecido pode acontecer também em nível digital contra o crime organizado no Brasil, já que as facções estão enquadradas pelos EUA como organizações terroristas. O governo brasileiro não aceita isso, diz que PCC e CV não são terroristas; eles tomam território brasileiro, dominam áreas no Rio de Janeiro, na Amazônia, dominam rios da região amazônica, inclusive o próprio Rio Amazonas, têm pistas de pouso, têm uma organização muito grande, mas para Lula e o PT as facções não são terroristas.
No fórum Caminhos da Liberdade, o Rodrigo Pimentel, que é um especialista nisso e fala do que conhece, e Renan Santos, do Missão. Ambos mostram que conhecem os caminhos; na verdade, todos conhecem os caminhos de entrada de drogas e armas, as ações do Comando Vermelho e do PCC. Só o governo brasileiro é que não sabe, ou não quer saber. Não sabemos se há uma simpatia ou uma empatia com as facções, ou se há uma antipatia em relação a Donald Trump, mas o certo é que antepõem isso à segurança, que é o principal problema do país e será o principal tema dessa campanha eleitoral. Quem estiver ao lado dos bandidos certamente não terá voto. E o contrário é o verdadeiro, porque o povo quer segurança e saúde. Deveria também querer muito ensino, porque é o ensino que tira a ignorância do eleitor; com o domínio da capacidade de se informar, da curiosidade sobre quem são os candidatos, a pessoa aperfeiçoa seu voto e escolhe melhor o seu futuro.
Ficou muito estranha essa história de Flávio Bolsonaro não ter conseguido registrar sua candidatura pelo PL porque aparecia como filiado ao Missão na Justiça Eleitoral. O TSE alega que nenhum hacker entrou nos sistemas do órgão; Renan Santos disse que foi alguém que tinha credenciais para entrar no e-mail de Flávio e fez o registro; Flávio nega que tenha feito qualquer coisa nesse sentido. Já foi resolvido, a Justiça Eleitoral já registrou Flávio de volta no PL, mas continua afirmando que ninguém entrou por vias digitais nos sistemas da corte para fazer isso.
Já foi dito algumas vezes que Jair Bolsonaro é um prisioneiro especial de Alexandre de Moraes. O ministro repassou para o procurador-geral Paulo Gonet um pedido da defesa de Flávio, que é advogado do pai. Advogados têm licença absoluta para falar com seus clientes, mas Flávio está proibido, como filho e também como advogado. E a PGR foi favorável à proibição durante 90 dias, ou seja, durante toda a campanha eleitoral. Antevemos um certo entrechoque entre decisões do Tribunal Superior Eleitoral e decisões do Supremo, mais exatamente, de Moraes, de Flávio Dino ou de Gilmar Mendes. Não fazemos a menor idéia, o que Edson Fachin, o presidente do STF, fará para que isso não cause maiores problemas. Estão deixando de lado a razão e o bom senso, e usando politicamente algo que tem de ser puramente técnico, que é a administração de eleições e a contagem clara e transparente de votos.