Apoio de Temer a Flávio Bolsonaro tem o dedo de Alexandre de Moraes?
Por Alexandre Garcia
Em Brasília há muita especulação desde que o ex-presidente da República Michel Temer, que indicou Alexandre de Moraes para o STF, fez uma gravação espontânea declarando apoio a Flávio Bolsonaro. Todos imaginam que isso pode ter sido um movimento sugerido pelo próprio Moraes, para criar uma aproximação. O fato é que já tivemos gente do PL indo no Supremo para conversar: o coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho, esteve lá, e parece que houve mais contatos.
Enquanto isso, Moraes liberou o general Augusto Heleno para ir ao Hospital das Forças Armadas no dia 22, para uma consulta de neurologia. Heleno foi condenado com a relatoria de Moraes, que também foi juiz e é executor da pena. Antes disso, o ministro já havia feito algumas “liberalidades, sempre entre aspas, com a Débora do Batom, com Allan dos Santos, com Oswaldo Eustáquio. É o efeito do primeiro turno, da eleição para o Senado.
Quem também deve estar preocupado com o Senado é Lula. Se for reeleito, ele não tem a menor condição de aprovar Jorge Messias, se resolver insistir na indicação. Não aprovou com o Senado atual, imaginem com o futuro Senado. Aliás, teoricamente ele não tem condições de aprovar ninguém para o Supremo; esse Senado e essa Câmara foram feitos para alguém que combine com a maioria de direita nas duas casas e, se incluirmos a centro-direita, com o perdão do pleonasmo, a maioria fica maior ainda.
Muito simpática a atitude do ministro Luiz Fux, que é faixa-coral, a segunda maior na graduação do jiu-jítsu. Quase ninguém sabe que existia um centro de treinamento da Polícia Judiciária do Supremo – para vermos como o STF tem recursos… Pois Fux foi lá e deu aula para pré-adolescentes: vestiu o quimono, a faixa coral e foi ensinar a criançada, estimulando-a à prática do jiu-jítsu. E soube que não é a primeira vez que ele faz isso.
Uma medida provisória assinada pelo presidente determina que os egressos de faculdades de Medicina façam um exame para conseguir o registro, assim como a OAB faz com os advogados. A MP foi aprovada na comissão mista de Câmara e Senado, como é de rotina, e já passou pelos dois plenários. Bia Kicis e mais alguns parlamentares foram contrários, e fui pesquisar o motivo. Afinal, se a OAB faz exame para advogados, por que o Conselho Federal de Medicina não poderia fazer o exame para os médicos? O CRM de São Paulo, por exemplo, fazia esse exame informalmente e descobriu que havia gente com diploma de Medicina, mas não sabia diagnosticar uma gravidez, uma apendicite, um infarto. Pipocaram faculdades de Medicina pelo país inteiro sem laboratório, sem condições de formar realmente um médico.
Acontece que a atual composição para fazer essa prova tem quatro representantes do governo (dois do Ministério da Saúde e dois do Ministério da Educação) e quatro representantes do Conselho Federal de Medicina. Poderiam ser todos do CFM, e seria muito mais sábio deixar o exame a cargo das pessoas que estão próximas a essa realidade e que estão fiscalizando as faculdades de Medicina.
Está preso o segundo candidato mais votado para deputado estadual no Rio de Janeiro, Márcio Canela, ex-prefeito de Belford Roxo. Também foi preso o ex-secretário de Polícia Civil do Rio, Marcus Amim, e mais quatro policiais civis. A ordem veio do ministro Alexandre de Moraes, e houve ainda 16 mandados de busca e apreensão. Em um deles, encontraram em uma adega R$ 40 mil, não em vinho, mas em dinheiro mesmo, atrás das garrafas. Os presos são acusados de um esquema de lavagem de dinheiro usando 96 postos de combustíveis no Rio, e desde 2020 teriam movimentado R$ 7,2 bilhões, segundo o Coaf, do Ministério da Fazenda.