Como é que ainda nos deixamos enganar pelos programas eleitoreiros de Lula?
Por Alexandre Garcia
Temos falado aqui sobre esse Desenrola, e os números mostram como a situação piorou. Hoje, há 82,3 milhões de brasileiros endividados; isso equivale a 49% dos brasileiros adultos. É muita gente! E então, quando chega a época da eleição, Lula vem com esses programas. Quando lançou o primeiro Desenrola, os endividados eram 15 milhões. Como a renegociação facilita, as pessoas se endividam mais. Mas eu não imaginava que o salto fosse tão grande. Imagina-se que o número de endividados havia dobrado, mas não: mais que quintuplicou, quase sextuplicou. O programa abrange quem ganha até R$ 8.105 por mês, e a dívida média é de R$ 6,3 mil – mesmo assim, é dívida que não está sendo paga.
E falam em usar dinheiro do Fundo de Garantia. Mas o FGTS é para comprar o que chamamos “bem de raiz”. A pessoa usa o FGTS se ficar doente, ou se aposentar, precisar do dinheiro, não tiver mais renda, ou para comprar um imóvel, um bem de raiz que não vai se deteriorar, pelo contrário, em geral vai se valorizar. Agora, usar para pagar dívidas? Isso se chama volatização do Fundo de Garantia. É mais uma das muitas irresponsabilidades do governo, que vão se somando por causa das medidas eleitoreiras, demagógicas e populistas. Nós conhecemos essa história há quase 30 anos, mas continuamos insistindo. Será que não usamos o cérebro que Deus e a natureza nos deram, para pensar a respeito? Estamos sendo enganados; não somos gente, somos cordeirinhos conduzidos.
Também não sabíamos que, além do Fundo Garantidor de Crédito – aquele que vai ter R$ 50 bilhões de prejuízo com Daniel Vorcaro, existe um outro, o Fundo de Garantia de Operações, que deve ser usado no novo Desenrola. É claro que você sabe de onde vêm esses fundos. Não é de Marte, nem de Taiwan. Vêm das pessoas que investem no mercado financeiro. Sempre se retira um pouquinho para bancar esses fundos garantidores. Alguém sempre vai pagar o almoço, porque não existe almoço grátis.
Isso tudo deveria nos mostrar a importância de administrar a nossa vida financeira. Há momentos em que talvez seja necessário fazer uma dívida, mas o ideal é a emprestarmos dinheiro para o banco; o banco empresta para os outros e nos paga juros. Viramos sócios do banco – mesmo que um sócio menor, já que o banco sempre fica com a melhor parte.
O editorial do Estadão, um dos mais importantes jornais do país, está falando de um deputado do PT que faz parte da Mesa Diretora da Câmara como primeiro-secretário: Carlos Veras. O jornal fez um levantamento e apurou que, de 1 mil pedidos de informações sobre coisas do governo, incluindo o escândalo do Master, feitos por deputados, 600 estão parados na gaveta dele. E o Estadão pergunta no editorial: sem informação, como haverá fiscalização? Isso é uma espécie de censura, uma blindagem ilegal, porque o artigo 37 da Constituição menciona a publicidade como um dos princípios do serviço público. Tudo é público, e a fonte do poder e do dinheiro tem todo o direito de saber o que estão fazendo com o dinheiro e com o poder.