Desvios no tal Pé de Meia: quem poderia imaginar isso num governo Lula?
Por J.R. Guzzo
Se existe uma coisa com a qual você pode contar com certeza, cada vez que o governo Lula fala em “programa social” é que, quinze minutos depois, haverá desvios. Não falha nunca. Do Bolsa Família ao programa do arroz barato, que nem conseguiu entrar em vigor por ladroagem grosseira demais, do “Desenrola” ao novo “Empréstimo do Lula”, que transferem bilhões de reais do Erário Público para o caixa dos bancos, é sempre a mesma história – se Lula está falando em dar algum trocado para o povão, é porque a companheirada inventou mais um jeito de ganhar com isso.
O último assalto é o tal de “Pé de Meia”, que se propõe a doar R$ 1.000 para “estudantes” que precisam de “ajuda” para “continuar estudando”. Parece piada, mas mal o programa foi lançado, como parte dos esforços do novo ministro da Propaganda para melhorar a “imagem” do governo Lula, a roubalheira já está rolando solta. Segundo revelou uma reportagem de O Estado de S. Paulo, já há cidades no Pará, na Bahia e em Minas Gerais onde o número de beneficiados do “Pé de Meia” é maior que o número de alunos matriculados nas escolas. Outra coisa a notar: das dez cidades onde há mais gente recebendo o benefício, em nove Lula teve mais votos na eleição de 2.022. É tudo no Nordeste.
Que iam atacar o “Pé de Meia” era óbvio, e o governo só confirmou o apronto. “Programa Social” de Lula é isso mesmo: um biombo para esconder o que está atrás, e o que está atrás é sempre a privatização do Tesouro Nacional em favor da escumalha que se amontoa no PT e nas gangues políticas que lhe dão apoio. É um cardume de piranhas. Seu último ataque, antes do Pé de Meia, foi um furto qualificado de marmitas em São Paulo: receberam o dinheiro, mas não entregaram as marmitas. Quem? ONGs que servem como “laranjas” do PT – os condutos pelos quais eles transferem para os próprios bolsos o dinheiro que você pagou de imposto.
Além da certeza de que haverá desvios, a cada vez que anunciam um “programa social”, há uma outra, mais certa ainda: não vai acontecer nada com os ladrões. Não aconteceu no leilão do arroz, não aconteceu nas merendas, não vai acontecer nunca. É claro que não: o STF, por força de sua própria jurisprudência, transformou o Brasil no único país do mundo em que a corrupção deixou de ser crime, desde que praticada no governo Lula e no seu entorno. Pense por 30 segundos: você acha que um Dias Toffoli, a mero título de ilustração, faria alguma coisa contra o roubo no “Pé de Meia”? Ele devolveu para a Odebrecht e J&F R$ 20 bilhões em dinheiro roubado – isso com os ladrões tendo confessado o roubo. Toffoli e o resto do STF anularam toda a Lava Jato. Sergio Cabral, condenado a 400 anos de cadeia por corrupção, está solto por decisão do nosso altíssimo judiciário – e por aí se vai, do zero ao infinito. Resultado: vão continuar roubando até o fim da vida.