Porto Velho, RO – Tiririca é sensacional como humorista, não restam dúvidas. Suas sacadas ligeiras e o jeitão abestalhado de falar e gesticular são capazes de despertar gargalhadas nos mais sisudos, nervosos, aborrecidos e antipáticos.
Não à toa Francisco Everardo Oliveira Silva sobrevive artisticamente – ainda comercialmente rentável – há mais de vinte anos fazendo a mesmíssima coisa incorporando o personagem que o colocou e o mantém na rota da fama durante todo esse período.
No entanto, Francisco Everardo jamais seria eleito ou ocuparia qualquer cargo político de relevância no Brasil não fosse o jocoso Tiririca, sua identidade artística.
O chamado voto de protesto o alavancou ao posto de deputado federal por São Paulo com duas votações extremamente expressivas que ultrapassaram a marca de 1 milhão de manifestações favoráveis ao pseudônimo. O famoso bordão “pior que tá não fica” foi, com seu primeiro e último manifesto no púlpito da Câmara Federal, obliterado sumariamente.
Tiririca mentiu. Levou quase três mil dias para contar a seus eleitores o que faz um parlamentar, algo que qualquer espectador desavisado poderia fazer sem embolsar um só centavo.
“Trabalha muito e produz pouco”, relatou em entrevista a Roberto Cabrini, no último Conexão Repórter.
Demagogo e endinheirado, fez questão de vociferar que a mãe fora tratada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como se fosse orgulho relegá-la a filas de espera e outras celeumas que só a cambaleante Saúde Pública brasileira pode nos proporcionar. Isto apenas para demonstrar que é preferível vê-la passar pelo mesmo sofrimento de quem não pode custear tratamento célere e particular através de um plano de saúde a mexer no bolso cheio de escorpiões. Como se o cidadão comum não movesse montanhas para salvar um familiar, gastando o que tem e o que não tem acumulando dívidas intermináveis.
Contraditório, apoiou todas as movimentações tacanhas do governo ilegítimo e golpista de Michel Temer (PMDB). Cabrini pode escrever o que quiser, já que sua reputação profissional o precede, mas Tiririca foi – e continua sendo – mero boneco de ventríloquo, desde o dia em que aceitou o convite oportunista do criminoso do colarinho branco Valdemar da Costa Neto para integrar o PR.
Perdido, atordoado e sem saber o que fazer, o humorista se posicionou pelo senso comum, inclusive quando votou favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) pressionado por colegas e contrariando as próprias raízes.
Ao SBT, disse que tentaram suborná-lo para votar a favor de Dilma na sessão do impeachment. Porém logo após o discurso “antológico” no Parlamento, declarou que votaria no ex-presidente Lula à Presidência da República em 2018 porque, entre todos os ocupantes do Alvorada, “foi o melhor para o povo”. Mais perdido do que cego em tiroteio, no mínimo. Eis o suprassumo da incoerência.
E se havia alguma chance de algo de bom sair dessa cartola oca, esqueça. O comediante poderia ter promovido a autodestruição atirando, levando para a cova comum os tais corruptos que tentaram cooptá-lo, mas nem isso.
Acovardou-se, como todo medroso que tenta envergar-se com discursos genéricos que não servem a nada nem ninguém. Aliás, mentira. Na realidade esses discursos são verdadeiros mantras motivacionais absorvidos por carentes intelectuais, os que elegem heróis diariamente atraídos por verborragias sedutoras cuja prática é zero ou menos que isso.
Por fim, é sintomático que o Brasil – país moralmente destruído – ostente em sua longuíssima ficha credencial de criaturas inacreditáveis agentes públicos satisfeitos apenas por comparecerem regularmente ao seu local de trabalho.
Às vezes é preciso ir diante de um espelho dar uns bons tabefes no próprio rosto para saber se estamos acordados ou não.
Chegamos ao ponto em que um político é condecorado socialmente e ovacionado por hordas físicas e virtuais porque saiu de casa para trabalhar: é o fim!
Fonte: www.rondoniadinamica.com.br