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O consumo de plástico está em constante aumento, o que contribui para a poluição ambiental. Quando na natureza, são submetidos à manipulação e formação de microplásticos (partículas menores que 5mm) e nanoplásticos (partículas menores que 1000nm), que podem desencadear uma gama de efeitos tóxicos.

Diversos estudos já demonstraram que essas partículas entram no corpo humano pela via oral, inalatória e pela exposição da pele e já foram encontradas em tecidos como placenta, pulmões, fígado e no leite materno, urina e sangue. Modelos experimentais têm sugerido que também podem atuar como fator de risco cardiovascular, com indução de estresse oxidativo, inflamação e apoptose do endotélio e outros componentes do vaso. Porém a relevância clínica desses achados é desconhecida.

Assim, foi feito um estudo publicado recentemente no NEJM que avaliou se essas partículas são detectáveis ​​em placas ateroscleróticas e se sua quantidade teria associação com doença cardiovascular.

Qual o risco evolutivo para adenocarcinoma esofágico na DRGE não erosivo?

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Métodos de estudo e população envolvida

Foi um estudo prospectivo, multicêntrico e observacional que avaliou dois grupos, um com placas ateroscleróticas que continham partículas de plástico e outro com placas ateroscleróticas sem como partículas. Os fragmentos foram retirados da região de bifurcação da carótida e analisados ​​por métodos específicos de microscopia eletrônica, cromatografia e espectroscopia de massa.

Foram incluídos pacientes entre 18 e 75 anos com estenose de carótida maior que 70%, assintomáticos e que seriam submetidos a endarterectomia. Os critérios de exclusão eram a presença de insuficiência cardíaca, doença valvar, neoplasia maligna e hipertensão secundária. Pacientes com complicações pós-operatórias antes da alta ou com dados incompletos também foram excluídos.

O estágio primário foi composto por infarto agudo miocárdio (IAM) não fatal, acidente vascular cerebral (AVC) não fatal ou morte por qualquer causa. Desfechos secundários incluíam níveis de interleucina-18, interleucina 1β, fator de necrose tumoral α (TNF-α), interleucina-6, CD68, CD3 e colágeno.

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Resultados

Foram avaliados 312 pacientes. Desses, 8 tiveram AVC ou faleceram antes da alta e 47 tinham dados incompletos ou perda ou seguimento, sendo a amostra final de 257 pacientes, que foram seguidos por média de 33,7 meses.

Do total de pacientes, 150 (58,4%) tinham quantidade detectável de polietileno na placa carotídea, sendo que 31 (12,1%) também tinham quantidade de policloreto de vinila. O nível médio de polietileno era 21,7 µg/mg de placa e de policloreto de vinila de 5,2 µg/mg de placa.

Os pacientes com partículas de plástico na placa eram mais jovens, com maior chance de serem homens e tinham menos hipertensão. Esses pacientes também tinham mais diabetes, doenças cardiovasculares, dislipidemia, tabagismo e maiores níveis de creatinina em comparação com pacientes sem partículas de plástico na placa carotídea. Não houve diferença em relação ao local de moradia dos pacientes.

Os marcadores inflamatórios relatados anteriormente (interleucinas e TNF-α), a quantidade de colágeno e os níveis de CD3 e CD68, marcadores de infiltração linfocitária e macrofágica respectivamente, foram exibidos com a quantidade de plástico visto na placa.

No seguimento houve pelo menos um evento do desfecho primário em 8 de 107 pacientes (7,5%) do grupo que não apresentou evidência de plástico na placa, resultando em 2,2 eventos por 100 pacientes-ano. Já no grupo com plástico na placa aterosclerótica, que continha 150 pacientes, houve 30 eventos (20%), resultando em 6,1 eventos por 100 pacientes-ano. O HR foi de 4,53 (IC95% 2-10,27) com P <0,001. Ao analisar a quantidade de plástico como variável contínua, houve associação com estágio primário.

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Comentários e conclusões

Esse estudo mostrou que pacientes assintomáticos submetidos a endarterectomia de carótida que apresentavam partículas de plástico na placa tiveram maior ocorrência de eventos (IAM, AVC ou morte por qualquer causa) do que os que não apresentavam essas partículas.

A ingestão ou aspiração de partículas de plástico pode levá-los à circulação e acúmulo em órgãos altamente vascularizados e no coração. O tamanho das partículas também influencia, sendo que quando maiores que 150µm ou maiores que 10 µm de diâmetro não são absorvidos. A maioria das partículas bloqueadas no estudo tinha menos que 200nm.

Existem pelo menos 11 tipos de plásticos usados ​​e não é claro porque houve predominância dos dois tipos encontrados no estudo. Todos são amplamente utilizados, desde a produção de alimentos até em encanamentos e cosméticos.

É importante ressaltar que esse estudo não é de causalidade, a associação entre as partículas e eventos cardiovasculares parece ocorrer, porém pode ser que esses pacientes tenham outros fatores de risco confundidores que não foram avaliados, como exposição a outras substâncias ou diferentes comportamentos e estilos de vida por exemplo. Existem ainda outras limitações, inclusive a possibilidade de contaminação das amostras, mesmo com todos os cuidados adotados e a população avaliada foi bem específica, sendo que esses resultados não podem ser generalizados para a população geral.

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Autor

Editora de cardiologia do Portal PEBMED ⦁ Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) ⦁ Residência em Clínica Médica pela UNIFESP ⦁ Residência em Cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) ⦁ Atualmente ativo nas áreas de terapia intensiva, cardiologia ambulatorial, enfermaria e em ensino médico.

Referências bibliográficas:Ícone de seta para baixo

  • Marfella

R, e outros. Microplásticos e Nanoplásticos em Ateromas e Cardiovascular Eventos. N Inglês J Med. 7 de março de 2024;390(10):900-910. faça: 10.1056/NEJMoa2309822. PMID: 38446676.

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