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No ano passado, o Campeonato Brasileiro começou em 29 de março. No mesmo dia da nova temporada, oito rodadas já terão sido disputadas, uma consequência das mudanças no calendário da CBF, que antecipou para o primeiro mês do ano a largada da principal competição do país.

Isso tem reflexos. Os times iniciaram o Brasileirão, neste meio de semana, em um período no qual estavam acostumados a começar a engrenar nos Estaduais, superada a pré-temporada. É um momento de preparação. Ninguém está pronto ainda – mesmo quem traz uma herança do ano passado como vantagem sente o impacto da interrupção do trabalho.

E a consequência tende a ser um começo mais embolado de campeonato. Na primeira rodada, nenhum dos três (teóricos) favoritos ao título venceu. O Flamengo, que precisou mudar o planejamento e antecipar a utilização do elenco principal por causa do fracasso do time sub-20 no Campeonato Carioca, perdeu de virada para o São Paulo, um adversário claramente inferior; o Cruzeiro, ainda em busca do futebol de 2025, levou 4 a 0 do bom time do Botafogo; o Palmeiras assegurou um empate fora de casa com o Atlético-MG.

Botafogo x Cruzeiro gol Danilo — Foto: Alexandre Durão

Botafogo x Cruzeiro gol Danilo — Foto: Alexandre Durão

É possível que isso continue acontecendo nas próximas rodadas, ainda mais com a chegada da reta final dos Estaduais (o Brasileirão será interrompido por duas semanas por causa das decisões regionais). Trata-se de um campeonato difícil por natureza, repleto de jogos traiçoeiros o tempo todo, e a tendência é de que essa característica seja reforçada nas próximas rodadas.

O torcedor terá que praticar a difícil arte da paciência. O do Cruzeiro, agora com Tite, começa a se preocupar com um esfarelamento do modelo de jogo de Leonardo Jardim; o do Inter se assusta, depois do pavor do ano passado, de já largar perdendo em casa para o Athletico, um adversário vindo da Série B; o do Grêmio soma o 2 a 1 para o Fluminense à frustração da derrota no Gre-Nal na partida anterior.

Mas é preciso sublinhar o discurso, muitas vezes enfadonho, de que é cedo. Porque é realmente cedo, excepcionalmente cedo. Reforços estão chegando, novos treinadores estão conhecendo os clubes onde acabaram de aportar, corpos estão sendo preparados para a largura da temporada. Será necessário, mais do que nunca, resistir à tentação das verdades absolutas.

É difícil prever quando a poeira vai baixar. Talvez no começo de abril, quando os times, vindos de uma pausa para a Data Fifa, passarão a ter uma rodada por semana. E aí o equilíbrio de forças deve ficar mais claro, sem as ressalvas deste começo antecipado de campeonato.