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O cloridrato de naloxona é uma droga de escolha para reversão dos efeitos dos opioides, sendo utilizada tanto na anestesia em casos de pacientes com sobredosagem da medicação e despertar prolongado, como em casos de emergência de intoxicação aguda por essa classe de medicamentos. Ela tem o poder de reverter os efeitos adversos dos opioides como sedação, depressão respiratória, hipotensão e alterações do estado mental e psíquico.

Apesar de seu mecanismo de ação ainda não estar totalmente definido, ele atua como um antagonista opioide puro, competindo pelos mesmos sítios de ligação, a nível central, dos receptores μ, κ e σ, tendo maior camada pelos receptores µ. Ele pode ser administrado por via venosa, tendo sua latência e duração mais rápida do que as vias subcutânea ou intramuscular.

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E também pode ser aplicado por via intranasal em casos de intoxicação aguda extra-hospitalar, por opioide. A sua principal proteína de ligação é a albumina. É metabolizada pelo fígado e excretada pela urina, tendo uma meia-vida em torno de 30 a 80 minutos em pacientes adultos.

Em 2021, um Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), lançou uma versão da naloxona intranasal na dose de 8 mg para casos de intoxicação aguda por opioides.

Habitualmente, a naloxona, é utilizada em doses de 4 a 8 mg, porém estudos sugerem que doses acima de 4 mg não apresentam uma maior eficácia e desencadeiam mais efeitos adversos.

Ó Departamento de Saúde do Estado de Nova Yorkpublicou um estudo apresentado pelo Central de Controle de Doenças (CDC) não Relatório Weekley de Morbidade e Mortalidadeavaliando a ação de policiais no combate às intoxicações agudas por opioides com o uso de naloxona intranasal nas doses de 4 e 8 mg.

Naloxona

Estudo

O estudo em questão foi realizado com 11 tropas de policiais da cidade de Nova York, devidamente treinadas para atender casos de suspeita de intoxicação aguda por opioides. O estudo foi realizado no período de março de 2022 a agosto de 2023 com um total de 354 pessoas com suspeita de intoxicação aguda por opioides.

Desse grupo, 101 pessoas receberam naloxona intranasal na dose de 8 mg e 253 pessoas receberam naloxona intranasal na dose de 4 mg. Os policiais que participaram do estudo foram orientados a relatar os sintomas encontrados após a administração da naloxona, principalmente aqueles relacionados à abstinência de opioides como náuseas e vômitos, alterações comportamentais, agressividade ou letargia.

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Os critérios de exclusão foram: ausência de sinais de intoxicação por opioides como depressão respiratória ou inconsciência, mais de uma dose de naloxona administrada e óbito antes da administração de naloxona.

Os pacientes que receberam doses de 4 mg de naloxona foram tratados como o grupo de referência.

Resultados

Os sinais e sintomas relacionados à abstinência de opioides como vômitos, foram de 37,6% no grupo de 8 mg e de 19,4% no grupo de 4 mg. Ddas pessoas que receberam 8 mg de naloxona, 10,9% apresentaram comportamento agressivo combativo contra 7,9% que receberam 4 mg de naloxona.

Os sinais e sintomas mais comuns pós-administração de naloxona evidenciados em dois grupos foram desorientação (66,3% no grupo de 8 mg contra 58,5% no grupo de 4 mg) e letargia (52,5% contra 43,5% respectivamente).

Os policiais relataram que a totalidade dos pacientes sobreviventes (99%) tanto do grupo que recebeu 8 mg como no grupo que foi administrado 4 mg de naloxona foi a mesma.

Discussão

Nesse estudo, evidenciou-se que as pessoas que receberam doses elevadas de naloxona (8 mg) apresentaram o dobro de sinais e sintomas relacionados principalmente à crise de abstinência como náuseas e vômitos e alterações comportamentais externas para a violência, em comparação com o grupo de pessoas que usei 4 mg de naloxona.

Além disso, os vômitos foram relatados com uma incidência maior no grupo que recebeu 8 mg de naloxona, aumentando os riscos de broncoaspiração para casos de pacientes inconscientes. Sendo que a incidência de sobrevida após a administração de naloxona foi estatisticamente a mesma em dois grupos.

Devido a esses achados específicos conclui-se que em casos de intoxicação aguda por opioides, a administração de 4 mg de naloxona parece ser igualmente eficaz e causar menos efeitos adversos que a administração de doses mais elevadas do antagonista.

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Autor

Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Pós-Graduação em Anestesiologia pelo Ministério da Educação (MEC) ⦁ Pós-Graduação em Anestesiologia pelo Centro de Especialização e Treinamento da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (CET/SBA) ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) ⦁ Ênfase em cirurgias de trauma e emergência, obstetrícia, plástica estética reconstrutiva e reparadora e procedimentos endoscópicos ⦁ Experiência em traumas e cirurgias de emergência de grande porte, como ortopedia, vascular e neurocirurgia ⦁ Experiência em treinamento acadêmica e liderança de grupos em ambiente cirúrgico hospitalar ⦁ Orientadora acadêmica junto à classe de residentes em Anestesiologia ⦁ Orientadora e auxiliar em palestras regionais e internacionais na área de Anestesiologia.

Referências bibliográficas:Ícone de seta para baixo

  • Emily R. Payne, e outros.

Comparação da administração de naloxona intranasal de 8 miligramas e 4 miligramas pelas autoridades policiais durante a resposta à suspeita de overdose de opióides – Nova York, março de 2022 a agosto de 2023. Semanalmente / 8 de fevereiro de 2024 / 73(5);110–113

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