O Flamengo vai completar, nesta quarta-feira, uma semana desde a chegada de Leonardo Jardim. Com mudanças na rotina e novas regras, o treinador terá a oportunidade de mostrar mais algumas de suas ideias contra um adversário que conhece bem: o Cruzeiro. O reencontro com o ex-clube acontece às 21h30 (de Brasília), no Maracanã, pela 5ª rodada do Brasileirão.
Jardim chegou ao Fla com novos hábitos. Nesta terça-feira, o elenco vai repetir o que fez no sábado e chegar ao Ninho do Urubu às 17h para realizar o último treino e se concentrar. Com o jogo à noite, o grupo ainda faz um trabalho na manhã do dia da partida antes do almoço. O foco nesse tipo de atividade é ativação muscular, treino posicional e bola parada.
No Cruzeiro, o português também mantinha esses hábitos. Como mandante, esse tipo de rotina sempre acontecia. Em partidas como visitante, dependia da logística e horários, mas pode virar um costume nas viagens que vão chegar.
Quem convive no dia a dia relatou que o jeito do treinador é direto ao ponto, mas bom no trato humano com jogadores e funcionários. Atento ao que as pessoas dizem, ele se esforça para entender as dinâmicas do clube, é rápido na compreensão e também impõe as próprias regras, mas se mostrou mais flexível do que Filipe Luís em alguns aspectos, como o acesso a uma parte dos treinos. A maneira mais linha dura de trabalhar aparece nas cobranças quando as coisas não saem como pede, mas até o momento não houve nenhum problema.
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Leonardo Jardim na final do Campeonato Carioca entre Fluminense e Flamengo — Foto: André Durão
Jardim também aproveitou os últimos dias para conversar e tentar se aproximar mais dos atletas, além das reuniões com a diretoria. Ainda não é garantido que a concentração, por exemplo, vá ser algo fixo para o restante da temporada, mas o treinador acredita que o tempo próximo do elenco é importante para que ele consiga concluir a transição de ideias depois do trabalho longo com o antigo técnico.
Outra mudança foi a proibição dos celulares no vestiário. Os atletas precisam deixar os aparelhos fora do local. Com Filipe eles também não podiam mexer durante o momento pré-jogo, mas entravam com os pertences normalmente. O grupo no primeiro momento assimilou sem grandes repercussões as determinações.
Houve um incômodo entre os jogadores apenas com informações ditas dentro e fora do clube sobre a postura dos atletas. Bap entendia que o Filipe Luís e José Boto eram muito liberais em certos sentidos. Por isso, o perfil de Jardim foi um dos motivos para o presidente querer a contratação. Após o título carioca, Léo Ortiz externou a chateação por esse tipo de cobrança
Saída do Cruzeiro
O duelo entre dois campeões estaduais marca também reencontros. Gerson e Tite voltam ao Maracanã, enquanto Leonardo Jardim enfrenta o clube que prometeu ser o único que treinaria no Brasil. A chegada ao Fla repercutiu mal entre os mineiros.
Logo na primeira pergunta da entrevista de apresentação, o português explicou a declaração dada em agosto do ano passado. Jardim admitiu que, além dos problemas pessoais e familiares da época, também enfrentou ideias divergentes internamente.
— Falei o que foi sentido. Me sentia bem em Belo Horizonte, acreditava num projeto a médio longo prazo, mas a vida nos cria surpresas, tive problemas na ordem familiar e pessoal que eu tinha que resolver. Ao mesmo tempo existia dentro da estrutura algumas ideias diferentes do que eu acreditava, por isso acabou por se encerrar mais cedo o capítulo Cruzeiro. Fui emotivo porque acreditava que o projeto seria a longo prazo, mas também fui ingênuo, uma coisa que não costumo ser porque sou muito pragmático, mas às vezes a emoção nos leva a ter algumas tiradas infelizes – explicou.
Segundo ouviu o ge, a relação do português com Pedro Lourenço era boa, mas o desentendimento envolveu decisões de Pedro Júnior, filho do dono da SAF cruzeirense, que administra o dia a dia na Toca da Raposa. Com o elenco, houve elogios sobre a maneira como o técnico organizou o ambiente do clube. A relação era considerada positiva.
— O Jardim, ele tinha contrato, todo mundo sabe, desse ano de 2026. E ele falou comigo que não ia ser mais técnico, que ele queria ser gestor e me pediu para tirar a multa do contrato dele. E eu, pelo bom trabalho, eu tirei. E ele chegou e falou: ‘Ó, não vou ficar mais, vou embora que eu tenho que ficar dois meses lá para resolver problemas pessoais’. E assim foi. Eu sempre falo que o futebol eu tenho que fazer curso, porque é difícil para mim, as verdades não duram 24 horas. Então é meio complicado — desabafou Pedrinho em entrevista ao sportv.
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