Recentemente, um Associação Americana de Diabetes (ADA) publicou um estudo de coorte dinamarquês que abrange a incidência e as características do Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH) na população dinamarquesa. Segue abaixo um breve resumo desse artigo.
O Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH) é uma complicação do diabetes que pode oferecer risco de vida ao paciente se não for atendido rapidamente. É definido por uma glicose plasmática ≥ 33 mmol/L, osmolaridade plasmática efetiva ≥ 320 mmol/L , desidratação, presença/ausência de cetoacidose e algum grau de encefalopatia.
Geralmente, é precipitado por algum fator sendo os principais: infecção, infarto agudo do miocárdio, má adesão ao tratamento do diabetes ou não conhecimento prévio do diagnóstico de diabetes. A Dinamarca possui um amplo registro de pacientes na rede de saúde pública, possibilitando a realização do presente estudo.
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Objetivo
O objetivo do estudo foi descrever marcadores clínicos e laboratoriais do EHH, além de estimar a incidência em pacientes com diabetes mellitus tipo 1 (DM1) e tipo 2 (DM2), separadamente. Também foram avaliados pacientes que não sabiam fazer diagnóstico, pacientes com cetoacidose e pacientes com Insuficiência Renal Aguda (IRA) concomitante ao quadro de EHH.
Métodos e Pesquisa
O estudo de coorte ocorreu a nível nacional dinâmico, identificando pacientes que preenchiam os critérios de hiperglicemia e hiperosmolaridade para EHH ao longo dos anos de 2016 até 2018. Foram avaliadas características como idade, sexo, comorbidades, drogas prescritas, estado do diabetes no momento da admissão e critérios socioeconômicos.
Resultados
Foram identificados 634 pacientes com idade superior a 18 anos na população de aproximadamente 4,8 milhões de habitantes que preencheram os critérios para EHH.
Durante o período de quase 3 anos, 19 desses pacientes tiveram mais de uma internação hospitalar devido ao EHH, contabilizando-se para o estudo apenas a primeira. Antes de 2016, 24.196 habitantes foram divulgadas com DM1 e 251.357 com DM2. Desses, 114 com DM1 e 277 com DM2 foram enquadrados no quadro de EHH nesse período de 2016 a 2018.
A taxa de incidência de EHH foi de 16,5/10.000 pessoas-ano para os pacientes com diabetes mellitus tipo 1 (DM1) e de 3,9/10.000 pessoas-ano para os pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2). Além disso, 32% dos pacientes com EHH não sabiam fazer diagnóstico de diabetes anteriormente. Desses 634 pacientes, 394 apresentaram EHH enquanto 240 apresentaram EHH e cetoacidose diabética (CAD).
A taxa de mortalidade foi de 17% para os pacientes com EHH e de 9% para os pacientes com EHH e Cetoacidose Diabética (CAD). Em ambos os grupos, a maioria era composta por homens e o grupo com EHH era mais idoso do que o grupo com EHH associado ao CAD.
Conclusão do estudo
A incidência de EHH foi maior entre os pacientes com DM1 do que com DM2. O estado hiperosmolar hiperglicêmico é um espectro das crises hiperglicêmicas podendo ser classificado em EHH puro ou EHH associado à cetoacidose diabética. Aproximadamente 1/3 dos pacientes acometidos não sabiam de antemão o diagnóstico de diabetes mellitus.
A EHH é uma condição rara, porém severa, que deve ser idêntica e corrigida. Tal estudo ajudou a elucidar mais características do EHH de modo a auxiliar os clínicos a poder iniciar o tratamento de forma precoce e adequada. No entanto, mais estudos ainda são necessários para estabelecer fatores de risco e prognóstico.
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Autor
Médica graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Residência de Endocrinologia e Metabologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Residência de Clínica Médica pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE)
- Rosager EV, et al.