Uma condição clínica vem ganhando destaque nesse início de verão. Trata-se da chamada “virose da mosca”, que, inclusive, foi alvo de alerta emitido pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas.
Mas afinal, o que é a virose da mosca?
Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que o termo “virose da mosca” não se refere a uma doença específica. Trata-se de uma expressão que engloba as Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTAH), que em geral se manifestam como doenças diarreicas agudas.
Essas doenças são transmitidas por meio de água ou alimentos contaminados e têm etiologia heterogênea, podendo ser causadas por bactérias, vírus ou protozoários. A origem do nome se deve ao fato de que, como as moscas entram em contato com lixo, fezes e outros materiais ambientalmente contaminados, podem agir como transportadores para água e alimentos que são ingeridos pela população, fazendo parte da cadeia de transmissão de agentes patogênicos .

Sinais e sintomas
Os sinais e sintomas são comuns em diferentes doenças diarreicas agudas. Assim, pessoas acometidas podem apresentar:
– Diarreia, que pode ou não ter características invasivas, com presença de sangue ou muco;
– Fevereiro;
– Dor abdominal;
– Náuseas;
– Vômitos;
– Desidratação.
Medidas preventivas
Por sua característica de transmissão, esse conjunto de condições tem, como principais formas de prevenção, medidas relacionadas à higienização e conservação adequada de água e alimentos, incluindo os momentos de sua manipulação.
Algumas dessas medidas incluem:
– Higienizar as mãos de forma adequada com água e sabão ou álcool a 70% sempre que necessário, com atenção especial após ir ao banheiro e antes de manipular os alimentos;
– Lavar frutas e verduras com água potável;
– Manter os ambientes limpos, de forma a evitar insetos e outros vetores e impedir seu contato com alimentos e/ou fontes de água;
– Lavar e desinfetar recipientes que sejam utilizados para preparar ou armazenar alimentos;
– Evitar que lixo e resíduos fiquem expostos, uma vez que possam atrair insetos e outros animais vetores;
– Tratar a água utilizada para consumo;
– Evitar o consumo de alimentos crus ou malcozidos (principalmente carnes, pescados ou mariscos) e alimentos cujas condições de manipulação e armazenamento sejam consumidos ou desconhecidos.
Tratamento
Como visto, a “virose da mosca” não é uma doença única, podendo ter diferentes causas. Sendo assim, a necessidade de tratamento específico depende da identificação da etiologia, o que, muitas vezes, se baseia em elementos da anamnese e no quadro clínico, mas pode ser confirmado por meio de testes microbiológicos, como painéis moleculares em amostras de fezes ou coprocultura.
A hidratação se configura o tratamento de suporte principal, devendo a equipe assistente estar atenta ao desenvolvimento de desidratação. Indivíduos nos extremos de idade, isto é, crianças e idosos são mais suscetíveis a quadros de desidratação grave ao desenvolvimento de distúrbios eletrolíticos.
Para casos leves, sem desidratação e sem comprometimento da ingestão oral, orienta-se aumentar o transporte de água e outros líquidos, incluindo soro de reidratação oral, principalmente após cada episódio de diarreia. Os casos com sinais de desidratação podem ser tratados com terapia de reidratação oral, nos casos sem gravidade, ou com hidratação intravenosa, nos casos graves.
O uso de antibióticos só está indicado em casos de etiologia bacteriana, ou que representam uma minoria dos casos. A presença de sinais e sintomas de disenteria – presença de sangue ou muco nas fezes – é um parâmetro frequentemente utilizado como sugestivo de infecção bacteriana.
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Autor
Infectologista pelo Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) ⦁ Graduação em Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro