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A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é um dos principais fatores de risco para eventos cardiovasculares (CV). A Apneia obstrutiva do sono (AOS) é subdiagnosticada e é causa de HAS, principalmente HAS resistente e refratária. As diretrizes de hipertensão recomendam diagnóstico e tratamento de AOS em pacientes com HAS por ser um fator de risco modificável. O CPAP é a primeira linha de tratamento de AOS, no entanto, alguns pacientes não se adaptaram a este dispositivo.

O estudo

O objetivo deste estudo apresentado no congresso do Colégio Americano de Cardiologia (ACC 2024) foi comparar a eficácia relativa de um dispositivo de avanço mandibular (DAM) vs CPAP na redução de pressão arterial (PA) de 24 horas ambulatorial para pacientes que recusam ou não toleram CPAP.

O DAM avança a rotina durante o sono e reduz o colapso das vias aéreas neste período. Estudos prévios demonstraram melhoria da destruição e da qualidade de vida.

O ensaio CRESCENT foi um estudo de não inferioridade (com margem de +1,5 mmHg baseado em estudos prévios comparando CPAP e CPAP simulado) e randomizado. A hipótese nula seria que o CPAP seja mais eficaz em reduzir a média de PA em 1,5 mmHg.

Os critérios de inclusão foram: ser chinês (pela conformação da face), 40 anos, tem uso de pelo menos uma medicação anti-hipertensiva, alto risco CV (definido por: diabetes, AVC aviso, coronariopatia significativa, doença renal crônica, idade 75 anos).

Foram recrutados 321 participantes (o número calculado necessário para poder de 90% foi de 220 pacientes) em três hospitais públicos da China e Cingapura para polissonografia. Destes, 220 participantes com AOS moderada a grave (índice de apneia-hipopneia (IAH) ≥15 eventos/hora) foram selecionados para DAM ou CPAP (1:1) e seguidos por 12 meses de tratamento.

O resultado primário foi a diferença da média de PA de 24 horas após seis meses.

Os grupos foram semelhantes em características de linha de base, sendo a média de idade 61 anos,> 90% homens, IMC ~27,5, média de pressão arterial sistólica (PAS) 125 mmHg. Entretanto, foram discrepantes em relação à taxa de adesão aos dispositivos: a média de uso ≥ 6 horas por noite foi de 48% no grupo DAM e apenas 23% no grupo CPAP.

Resultados

A PA arterial média de 24 horas diminuiu 2,5 mmHg (p 0,003) aos seis meses no grupo DAM, enquanto nenhuma alteração foi observada no grupo CPAP (p 0,374). A diferença entre os grupos foi de -1,6 mmHg (IC 95% [-3,51 a 0,24], p não inferioridade <0,001), demonstrando que o DAM não foi inferior ao CPAP pois o intervalo respeitou a margem de +1,5 mmHg pré-estabelecida. Os resultados foram semelhantes mesmo após a exclusão de 21 pacientes que tiveram seus anti-hipertensivos ajustados durante o seguimento.

O grupo DAM declarou, também, maior redução nas configurações secundárias da PA ambulatorial (PA diurna e PA noturna) em comparação ao grupo CPAP, com os efeitos mais pronunciados na PA durante o sono.

Ambos os dispositivos melhoraram a destruição diurna (DAM 15,4%, p 0,001 e CPAP 27,5%, p <0,001), sem diferença estatística entre grupos (p 0,384).

O DAM não foi inferior ao CPAP na redução da PA média arterial de 24 horas em pacientes chineses com AOS moderada a grave e hipertensão com risco CV aumentado. Deve-se observar que a taxa de adesão ao CPAP foi bem menor que a do DAM o que pode subestimar o efeito potencial do CPAP nesta população.

Veja aqui todos os destaques da nossa cobertura do ACC 2024!

Confira também o Instagram eo site pai Afya Cardio Papers para mais informações sobre a edição deste ano do congresso do Colégio Americano de Cardiologia.

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Autor

Graduação em Medicina e Clínica Médica pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo Cardiologia pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo

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