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A chegada das chuvas amplia a oferta de pasto e cria condições para melhorar o desempenho da pecuária de corte. Entretanto, o aumento da umidade e as temperaturas favoráveis também podem facilitar a disseminação de parasitas, comprometendo parte do ganho de peso esperado para o período.

Nesse cenário, o controle de parasitas em bovinos na entrada das águas ganha importância no planejamento das propriedades. A estratégia deve combinar acompanhamento veterinário, monitoramento do rebanho e tratamentos definidos conforme as condições de cada sistema produtivo.

Estimativas científicas citadas pela Zoetis apontam que os prejuízos potenciais associados aos parasitas internos e externos podem se aproximar de R$ 70 bilhões por ano na pecuária brasileira. O levantamento considera impactos de vermes gastrintestinais, carrapatos, bernes, bicheiras, moscas-dos-estábulos e moscas-dos-chifres.

Verminoses podem comprometer o desempenho sem sinais aparentes

Um dos principais obstáculos ao controle é a dificuldade de perceber as perdas no início. Segundo informações apresentadas pela companhia, até 90% das verminoses podem ocorrer de forma subclínica, sem manifestações evidentes nos animais.

Mesmo nessas situações, os parasitas internos podem prejudicar o aproveitamento dos nutrientes e limitar o desenvolvimento dos bovinos. Assim, a melhora das pastagens nem sempre se traduz integralmente em maior ganho de peso.

Já os parasitas externos provocam irritação, desconforto e inquietação, podendo reduzir o tempo dedicado à alimentação e ao descanso.

Para Elio Moro, gerente técnico da linha de Antiparasitários da Zoetis Brasil, a recuperação do pasto precisa ser acompanhada por cuidados sanitários. Na avaliação do especialista, o controle ao longo do ano ajuda a preservar o desempenho dos animais diante dos diferentes desafios parasitários.

Novembro integra o calendário da vermifugação estratégica

Entre as estratégias apresentadas pela empresa está o protocolo 5-8-11, que organiza a vermifugação em três momentos: maio, na entrada da seca; agosto, durante a estação seca; e novembro, no início do período chuvoso.

A proposta busca reduzir a carga parasitária em etapas consideradas importantes para o desempenho do rebanho.

Conforme resultados de estudo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) informados pela Zoetis, animais submetidos às três etapas apresentaram ganho adicional de até 20 quilos por cabeça, em comparação com bovinos tratados somente em maio e novembro.

O resultado se refere às condições do estudo e não representa garantia de desempenho em todas as propriedades. A definição do calendário deve considerar o regime de chuvas, a categoria animal e o histórico sanitário de cada fazenda.

Monitoramento orienta o controle de parasitas internos e externos

A escolha dos períodos de tratamento deve ser acompanhada pela avaliação das condições do rebanho. Idade, desempenho produtivo, histórico de infestações e características ambientais ajudam a orientar as decisões.

Quando indicados pelo médico-veterinário, exames como a contagem de ovos por grama de fezes (OPG) auxiliam no acompanhamento das verminoses. A evolução do peso dos animais também fornece informações relevantes para avaliar os resultados do manejo.

No caso dos parasitas externos, a observação dos níveis de infestação e do comportamento dos bovinos contribui para identificar a necessidade de intervenção.

Esse acompanhamento permite ajustar as medidas de controle à realidade da propriedade, em vez de depender apenas do aparecimento de sinais visíveis ou da aplicação de um calendário fixo.

Manejo sanitário e nutrição precisam caminhar juntos

O aproveitamento das pastagens durante as águas depende da integração entre alimentação, saúde e manejo. A maior disponibilidade de forragem representa uma oportunidade produtiva, mas os desafios sanitários podem limitar seus benefícios.

Moro ressalta que o controle parasitário deve fazer parte de um planejamento contínuo, com avaliação das necessidades do rebanho e acompanhamento dos resultados.

Para a pecuária de corte, a entrada das águas é, portanto, um momento de revisar o calendário sanitário e organizar as intervenções com orientação veterinária. O objetivo é reduzir perdas, preservar o bem-estar dos bovinos e criar condições para que a recuperação das pastagens se converta em melhor desempenho animal.

Fonte: Portal do Agronegócio

Publicado em: 06/11/2026