- A fumaça das queimadas na Amazônia, que já encobria Manaus, passou a ser percebida em Porto Velho há pelo menos dois dias, evidenciando que os efeitos ultrapassam fronteiras estaduais e afetam a qualidade do ar.
- Dados do Inpe apontam milhares de focos de calor entre 12 de setembro e 12 de outubro, com 469 em Rondônia, 3.546 no Amazonas e 6.978 no Pará, que lidera também o ranking nacional com 20.090 registros.
- Documentos oficiais indicam que o governo do Amazonas dispensou reforços federais no fim de setembro, enquanto o governo federal posteriormente enviou quatro aeronaves e mais de 200 brigadistas, em meio a críticas sobre planejamento e prevenção das queimadas recorrentes.
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia
Fumaça observada há pelo menos dois dias em Porto Velho evidencia o alcance das queimadas na Amazônia; dados do Inpe apontam milhares de focos de calor no Pará e no Amazonas, enquanto documentos oficiais registram a dispensa de reforços federais pelo governo amazonense em setembro.
A fumaça das queimadas que há semanas encobre Manaus, capital do Amazonas, começa a ser percebida em Porto Velho, em Rondônia. Há pelo menos dois dias, moradores da capital rondoniense observam uma cortina de fumaça sobre a cidade, cuja presença se torna mais evidente ao longo do dia. O fenômeno chama a atenção para os efeitos das queimadas, que ultrapassam as fronteiras estaduais e atingem diferentes áreas da Região Norte.
O transporte da fumaça ocorre por meio das correntes atmosféricas, que podem levar partículas suspensas a regiões distantes dos locais onde o fogo se concentra. A intensidade e a direção desse deslocamento dependem das condições meteorológicas, incluindo os ventos e a circulação do ar.
Em Manaus, a poluição decorrente dos incêndios florestais ampliou a preocupação com a qualidade do ar e os possíveis impactos sobre a saúde da população. Em Porto Velho, a presença de fumaça também chama a atenção para os riscos da exposição à poluição atmosférica.
Dados do Inpe mostram concentração de focos de calor na Amazônia
Levantamento do News Rondônia, com base nos dados do programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), dimensiona as ocorrências registradas em três estados da Região Norte entre 12 de setembro e 12 de outubro.

No período, Rondônia contabilizou aproximadamente 469 focos de calor. No Amazonas, foram registrados 3.546, enquanto o Pará chegou a 6.978 ocorrências. Os números colocam o Pará na liderança entre os três estados analisados, seguido pelo Amazonas e por Rondônia.

No levantamento nacional do BDQueimadas, com dados contabilizados até esta segunda-feira (12), o Pará aparecia na liderança, com 20.090 focos de calor. Na sequência estavam a Bahia, com 5.558 registros, e o Amazonas, com 4.730. Rondônia ocupava a 11ª posição no ranking nacional, com 798 focos.
É importante observar: Os focos de calor detectados por satélite são indicadores de possíveis ocorrências de fogo e não correspondem, necessariamente, ao número de incêndios confirmados.
Pará concentra registros; municípios do Amazonas também aparecem entre os destaques
No Pará, três municípios aparecem entre os que registraram os maiores números de focos de calor no levantamento das últimas 24 horas. Uruará com (3.394); Portel (1.994) e Altamira (1.354) estão entre os destaques

No Amazonas, Autazes (691), Itacoatiara (468) e Lábrea (367) também aparecem nos registros, com focos de calor, respectivamente, conforme os dados referentes aos dias 11 e 12 de outubro.
A distribuição das ocorrências por diferentes municípios evidencia a dimensão territorial do problema. Embora os focos estejam concentrados em determinadas áreas, a fumaça pode ser transportada para outras localidades, ampliando os efeitos das queimadas sobre o ambiente e a população.
Documentos apontam dispensa de reforços federais pelo governo do Amazonas
Além dos impactos ambientais e sanitários, a atuação dos governos estadual e federal no combate às queimadas passou a ser alvo de questionamentos. Documentos oficiais indicam que o governo do Amazonas dispensou reforços federais em dois momentos distintos, no fim de setembro.
Em um ofício, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informa que o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, declinou do acionamento de equipes em 25 de setembro.
Já o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) afirma que, em 30 de setembro, o governo estadual comunicou que não precisava mais de reforço para combater os incêndios, após chuvas contribuírem para o controle dos focos.
As manifestações registradas nos documentos dizem respeito à necessidade de apoio em datas específicas. A avaliação da resposta governamental, no entanto, também depende da evolução dos incêndios, das condições climáticas e das medidas adotadas posteriormente.
No fim de semana, em meio à discussão sobre a atuação das administrações estadual e federal, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou quatro aeronaves e mais de 200 brigadistas para reforçar as operações de combate aos incêndios no Amazonas.
O senador Omar Aziz também contestou a afirmação de que o governo federal não teria enviado ajuda. Segundo o parlamentar, recursos haviam sido destinados ao então governador Wilson Lima para a aquisição de uma aeronave de combate a incêndios. Aziz também criticou a falta de planejamento preventivo para enfrentar as queimadas, que se repetem anualmente na região.
Rondônia também enfrenta episódios recorrentes de queimadas
Os números atuais podem ser contextualizados a partir do histórico recente de Rondônia. Entre 2020 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, o estado enfrentou episódios expressivos de queimadas. Em 2024, já na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, Rondônia voltou a registrar números elevados, com 9.987 focos de calor no período mais crítico considerado pelo levantamento.
Naquele ano, o país enfrentou uma grave estiagem, que agravou as condições ambientais e favoreceu a propagação do fogo. Além dos fatores climáticos, investigações sobre incêndios criminosos levantaram suspeitas de ações deliberadas para provocar queimadas em diferentes áreas da região.

A comparação entre os anos exige atenção aos períodos analisados e aos critérios de contagem. Ainda assim, os registros demonstram que as queimadas constituem um problema recorrente, cuja prevenção depende de políticas permanentes de fiscalização, monitoramento e combate ao fogo, independentemente da esfera de governo.
Fumaça ultrapassa fronteiras e preocupa moradores
O problema também atinge áreas próximas a Manaus e municípios do sul do Amazonas, na divisa com Rondônia, onde as queimadas e o desmatamento pressionam a floresta e afetam as populações locais.
Em Porto Velho, a fumaça observada nos últimos dias evidencia que os impactos das queimadas podem alcançar outras cidades e comprometer a qualidade do ar mesmo em locais distantes dos principais focos de fogo.
A exposição à fumaça pode agravar problemas respiratórios e provocar irritação nos olhos e nas vias aéreas. Crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica.
A repetição desse cenário durante a estiagem reforça a necessidade de planejamento antecipado, fiscalização e mobilização de brigadistas e equipamentos antes que os incêndios atinjam grandes proporções. A situação também exige articulação entre os governos federal, estaduais e municipais para ampliar a prevenção e garantir respostas rápidas às ocorrências.
Enquanto persistem os questionamentos sobre a atuação dos governos no combate ao fogo, a fumaça que chega a Porto Velho evidencia que os efeitos das queimadas não respeitam limites geográficos e exigem medidas coordenadas e permanentes.
Fonte: Rondonia News