Finalmente Moraes perdeu um julgamento do 8 de janeiro
Por Alexandre Garcia
O Brasil tem 1.402 presos políticos. Ninguém pode dizer que estamos em uma democracia. A Lei da Dosimetria está aprovada desde 8 de maio, mas não aconteceu nada com ela até agora. O presidente da Câmara, Hugo Motta, quando fez campanha para se eleger presidente da casa, prometeu todo o esforço para apoiar um projeto de anistia para o 8 de janeiro. Comentamos esse assunto porque, pela primeira vez, Alexandre de Moraes perdeu um julgamento relativo ao 8 de janeiro no plenário do Supremo: por 6 a 4, os ministros decidiram contar para o cumprimento da pena o tempo que a pessoa passou com tornozeleira, ou em prisão preventiva. Isso vai reduzir a pena de muita gente.
Mas o certo não seria nem dar anistia. Anistia é para quem cometeu crime, mas a Constituição mostra que não há crime político no Brasil. O problema é outro: na Lava Jato, as condenações de Lula, que passaram por três níveis do Judiciário, foram anuladas porque os processos não deveriam correr no CEP de Curitiba. Pois agora temos exatamente o mesmo motivo para anular a maioria das condenações, porque esses processos do 8 de janeiro, de pessoas sem foro privilegiado, não deveriam estar no CEP do Supremo.
Daniel Vorcaro está há mais de cinco meses na Papudinha, que é um batalhão da Polícia Militar, e gente lá de dentro, que tem contato com Vorcaro, diz que ele está cada vez mais disposto a realmente fazer uma delação com tudo aquilo que ainda não se sabe, até porque não adianta ele contar o que está nos celulares dele; precisa trazer coisas novas. Ele já está na terceira equipe de advogados; agora, a defesa é comandada pelo advogado criminalista Daniel Bialski.
Nesta segunda-feira foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão no instituto de previdência de Maceió, o Maceió Previdência. O ex-diretor-presidente Ronnie Teixeira Motta é um dos alvos; na gestão dele, ele teria pego o dinheiro dos aposentados lá de Maceió e aplicado R$ 97 milhões no Banco Master. Em seguida, por coincidência, ele teria comprado um imóvel e pago a maior parte de um veículo, tudo em dinheiro.
A Piauí foi a primeira a mostrar, depois saiu no Estadão, e agora está em toda parte aquela foto dos nossos mancebos da política, falam em piscina, mas parece mais uma banheira de hidromassagem. Eram mais de dez marmanjos, nove dentro d’água, dois sentados à borda, e uns em pé, olhando. Na foto estavam os deputados Arthur Lira (então presidente da Câmara, pois a foto é de 2023), Paulo Azi, Elmar Nascimento, Juscelino Filho (que na época era ministro de Lula) e Alexandre Ramagem (condenado e cassado em 2025); e os senadores Efraim Filho, Ângelo Coronel e Weverton Rocha (que também era ministro). Estavam na casa do advogado Willer Tomaz.
Precisamos ficar atentos sobre o deslumbramento que leva certas pessoas a debochar dos pobres deste país. Tivemos a farra do guardanapo em Paris, a degustação do Macallan em Londres. Os políticos se esquecem que, sendo pessoas públicas, precisam ter um mínimo de decoro e conter o exibicionismo de gente fraca e pobre de espírito que se enfeitiça com o poder.
Em uma reportagem da Economist sobre a China refere que estatais chinesas estão apoiando a iniciativa privada que trabalha com tecnologia, porque o futuro está no desenvolvimento tecnológico. Uma pergunta: por que nós compramos carros chineses, que levam o nosso aço? Compramos trilhos de trem feitos com o nosso aço, com o nosso minério de ferro que vai para a China. Por que não somos nós que exportamos carros para a China, em vez do contrário? A China é um mercado de 1,3 bilhão de pessoas, deve haver muita gente sem carro. Há 30, 40, 50 anos, nós estávamos muito à frente da China, nosso PIB era maior que o chinês; hoje, é a China que se aproxima do maior PIB do mundo, o dos Estados Unidos.