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Atrás de voto, governo acaba com taxa das blusinhas e abandona indústria
Por Alexandre Garcia

Vocês se lembram de como o governo defendeu a indústria têxtil nacional para lançar a taxa das blusinhas? A taxa era necessária, diziam, porque 80% dos produtos do vestuário brasileiro são de valor inferior a US$ 50; então, o governo taxou em 20% as compras no exterior até esse valor. Mas, em ano eleitoral, Lula concluiu que os consumidores que compram as blusinhas são mais numerosos que os empresários que produzem o vestuário. Para pegar os votos deles, tomou a iniciativa de contrariar tudo o que havia dito: se antes ele estava defendendo a indústria nacional, agora ele defende o consumidor nacional e beneficia a indústria estrangeira, principalmente a chinesa.
A inflação acumulada dos últimos 12 meses está em 4,39% – são números oficiais, não é pesquisa de mercado. Está chegando perto do máximo admissível da meta de inflação: a meta é 3% ao ano, e a tolerância é de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Em ano eleitoral, isso deve estar causando pesadelos no presidente. Mas foi ele quem provocou isso com sua mania de gastar, de criar ministérios, criando pressão inflacionária, que desvaloriza o dinheiro de todos. E, já que o governo não arrecada o suficiente para pagar tanta despesa, o governo tem de lançar papéis no mercado e pagar juros altos por eles.
Pobre do Banco Central, felizmente independente, do contrário ainda seria manipulado politicamente pelo governo, que tem de controlar isso, pois é sua obrigação garantir a higidez e a saúde da moeda e do crédito, porque, se a moeda se desvalorizar, se desvaloriza no nosso bolso. Recebemos 100 no início do mês, e no fim do mês estamos com 98. Alguém levou.
Surpreendeu a reviravolta no caso do cão Orelha. De repente, o Ministério Público mandou arquivar tudo. O cachorro morreu de morte natural, mais exatamente, de uma osteomielite maxilar, segundo a autópsia veterinária do cão. O exame das câmeras na praia mostrou que, na verdade, os jovens e o cachorro estavam distanciados em 40 minutos e em 600 metros. Mas agora o nome dos jovens suspeitos já é público, um deles até foi mandado pelos pais para os Estados Unidos, por causa da pressão.
Isso faz perguntar: será que aconteceu o mesmo que ocorreu em São Paulo nos anos 90, com a Escola Base, e com o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina? Um delegado, que inclusive é pré-candidato a deputado, lança a história, divulga os nomes, e as pessoas já são condenadas. Aliás, SOBRE um documentário que está sendo feito sobre o jornalismo, a mídia, a verdade e as pessoas que são denunciadas por coisas que não cometeram.