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No período da residência médica, os dias podem precisar de mais de 24 horas para dar conta de todas as tarefas e compromissos. Rotinas pesadas; plantões; visitas nos finais de semana; entre outras atividades, geram uma grande demanda de tempo e energia.

No entanto, é inviável pensar em um dia com mais de 24 horas, até porque nas horas adicionais continha grandes chances de adicionarmos mais atividades e manter a confusão.

Toda essa carga diária pode gerar um desbalanço entre a vida pessoal e profissional do jovem médico, algo que pode se estender para a vida futura após a especialização, com grandes riscos de afetar não apenas a vida familiar e social, mas também o desempenho médico.

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O ponto chave é o equilíbrio, que embora não seja fácil, pode ser alcançado com determinação e perseverança. A seguir irei comentar alguns pontos de reflexão sobre esse assunto.

Vida pessoal e residência médica

Definição de prioridades

Um ponto crucial nesse momento de tantas tarefas é saber priorizar cada uma, definindo prioridades e o real valor de importância entre elas.

Não diferenciar as demandas entre seus níveis de importância e urgência é uma grande causa de desequilíbrio no cotidiano, uma vez que pode ser perdido tempo em uma tarefa não urgente e deixada de lado uma demanda mais imediata.

Esse contexto cria um ciclo de melhorias e tentativas de “dar conta de tudo”, porém com o custo alto de desorganizar as outras atividades, afetando aquele tempo livre reservado com os amigos ou o dia de corrida, que passa a ser usado para resolver uma demanda deixada de lado.

Gestão do tempo

Mesmo com a definição de prioridades, ter uma boa gestão do tempo é um fator crucial para o equilíbrio entre as atividades diárias. Essa gestão envolve não apenas delimitar faixas do dia para uma ou outra atividade, mas também para entender a proporção de tempo que é necessária para cada uma. Isso é uma solução com o entendimento das prioridades e a avaliação individual da importância de cada momento.

O processo objetivo de definir horários para as atividades da vida pessoal e profissional é um caminho viável, pois facilita a organização diária e a criação de limites, que só fazem sentido quando são respeitados e inseridos na realidade prática.

Além de facilitar o alcance das metas de atividade física, como programar as tardes de terça e quintas-feiras para praticar natação. Com isso, crie-se um hábito nesses dias, que será mais facilmente respeitado. Do mesmo modo, separar 30 minutos ao final de cada dia para verificar e responder e-mails também cria esse mesmo senso de limites e habituação, facilitando a demanda organizada das atividades no cotidiano.

Excesso de tarefas

Além de definir prioridades e gerenciar o tempo, devemos estabelecer limites claros para a quantidade de coisas que podemos contar. O excesso de tarefas e atividades pode prejudicar o desempenho global das atividades cotidianas, podendo gerar sobrecarga física e mental, com influência direta na vivência fora do âmbito profissional.

Não adianta realizar bolsas de atividades na residência, adicionar mais outra dezena de compromissos fora do perfil profissional, na ilusão de que pode ser algo viável para o dia a dia. Pelo contrário, apenas vai atrapalhar a harmonia das atividades “obrigatórias” com a consequente angústia de suprir todas as outras demandas.

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Vale mais a pena entender o que pode ser deixado para um segundo momento na jornada da formação, ou mesmo após ela, tendo uma boa percepção das ambições individuais e um senso crítico apurado da capacidade de lidar com as ações diversas.

Valorizar cada momento

Um ponto que não pode ser esquecido é uma reflexão sobre a vivência plena de cada momento. De nada adianta estar no ambulatório e pensar na viagem do final de semana, ou passar a viagem pensando no que vai fazer com os pacientes na próxima agenda.

É necessário se situar plenamente no momento presente, seja em uma tarefa no trabalho ou momento de lazer familiar, perder essa noção é um facilitador de processos ansiosos, maior desatenção e uma grande chance de não aproveitar os momentos únicos que fazem parte do cotidiano.

Devemos fugir do pensamento de querer produzir algo em todo momento, que costuma vir acompanhado pelo sentimento de culpa de não ter treinado mais um assunto ou verificado o último artigo comentado em aula, por exemplo. A percepção de produtividade não deve ser distorcida pelo anseio desordenado de fazer mais coisas, e sim ser guiada pela gestão adequada das tarefas, pautadas nas prioridades individuais.

Mensagens finais

Equilibrar as diferentes esferas da vida não é algo tão fácil, sendo motivo de reflexões e ideias para diversos autores e filósofos.

É um processo que pode durar toda a vida, pautado na perseverança e constância de atitudes que desenvolvem bons hábitos e senso crítico.

Saber gerenciar o tempo e definir prioridades são pontos iniciais, que auxiliam outros diversos pontos, passando pela vivência plena de cada momento da vida.

Compreender esse assunto e colocá-lo na prática é fundamental para uma melhor vivência tanto da residência médica, quanto da vida pessoal fora do hospital. Isso facilita a criação e o reforço de vínculos familiares e sociais, a satisfação pessoal e profissional, refletindo em toda a carreira médica.

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Autor

Johnatan Felipe Ferreira da Conceição – Editor Médico Assistente do portal Afya/PEBMED Graduado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Residente de Neurologia do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP-UFF). Instagram: @johnatanfelipef

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