Responsabilidade institucional .
A fúria de Rodrigo Janot contra Michel Temer (PMDB) tem causado arranhões na reputação e credibilidade da operação Lava Jato. Desde a nebulosa delação da JBS, enxergamos mais objetivos políticos do que um real ímpeto de combate a um esquema de corrupção nascido na Petrobras. A própria delação, que não possui relação direta com a Lava Jato, foi tragada para o juízo prevento de Fachin. Há muitas dúvidas que ainda pairam no ar.
Cresce a sensação em Brasília de que a cruzada contra o governo esconde mais elementos do que simplesmente o trabalho abnegado de procuradores que desejam combater a corrupção. Existe a impressão de que existe uma vontade indômita do procurador geral no sentido de derrubar o presidente da República. Os motivos ainda não surgiram, mas ficou claro que os adversários de Janot se confundem com os adversários do petismo.
Desvencilhar-se das amarras da Constituição para perseguir adversários políticos é uma atitude que não condiz com a democracia que desejamos construir. Atentar contra a separação de poderes e atingir as instituições da República que aos poucos recolocam a economia nos trilhos depois de adentrarmos no perigoso caminho da irresponsabilidade fiscal soa como outro tipo de irresponsabilidade, a institucional.
Os episódios recentes mostram que nasce em Brasília o perigoso caminho a politização das investigações. Ao misturar coloração política em denúncias e mover os instrumentos de fortalecimento da democracia para abalar seus alicerces, percebemos que falta sentimento republicano naquele que conduz o espetáculo.
A irresponsabilidade pode ir além. Ao mostrar que existe direcionamento político, as investigações começam a perder credibilidade da população. Como lembrou o juiz Sergio Moro, não existe Lava Jato sem apoio popular. As ações da Procuradoria Geral em Brasília, aos poucos, podem minar inclusive o apoio necessário para as investigações em curso em Curitiba. Essa é uma preocupação que já deve rondar o imaginário da força-tarefa no Paraná.
Podemos ir além. A judicialização da política, com a chegada da arbitrariedade nas portas do Parlamento, já começou a movimentar deputados e senadores, que certamente irão se negar a assistir de camarote as ações abusivas que estão sendo cometidas. A continuação desta história será o início de uma guerra entre os poderes da República, gerando uma crise institucional.
Cabe aos homens conhecer os limites constitucionais de suas ações. Nossa Constituição é balizadora deste entendimento e permanece sendo a principal guardiã de nossas garantias e direitos fundamentais. Preservar as instituições da República é colocá-la acima das vaidades e vinganças pessoais. Agir dentro do espírito republicano é condição fundamental para não destruirmos a construção democrática que custou tanto aos brasileiros
Fonte : Por Marco Aurelio