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Quando ainda vice da então presidente Dilma Rousseff (PT), em um período em que ainda era tido como aliado da colega de chapa, Michel Temer (PMDB) sentenciou: é impossível governar por muito tempo com baixa popularidade. Agora no comando do país, o peemedebista, felizmente para ele, começa a mostrar que estava enganado.

Apanhando da operação Lava Jato, envolto em uma série de polêmicas com ministros – e alguns, agora, já ex-ocupantes de cargos na Esplanada –, Temer amarga crescente impopularidade. A continuar a provável trajetória, ele logo estará com níveis de rejeição próximos aos da defenestrada Dilma Rousseff. Ainda assim, Temer consegue governar.

É paradoxal e, ao mesmo tempo, surpreendentemente positivo para ele que, mesmo perdendo seu articulador político no meio do jogo, Temer tenha ganhado quase todas no Congresso e consiga, rapidamente, apresentar diversas reformas que governos anteriores, mesmo quando quiseram, nunca conseguiram fazer avançar.

Assim, baseado apenas no prestígio e nos acordos feitos no Parlamento, Temer atropela a impopularidade e começa a ganhar mais força. Após um agravamento da crise de confiança, Michel Temer começou a reagir. Justamente quando mais gente reclama de sua gestão, enfrentou temas absolutamente impopulares.

Com a reforma da Previdência, o peemedebista apanhou duramente, embora a maioria dos analistas aponte que alguma mudança no setor é inevitável. Neste caso, Temer parece ter pecado pelo excesso.

O governo optou por uma proposta cruel. É aquela coisa de pedir dez para ganhar quatro ou cinco. Ainda assim, Temer fez, como disse, mais do que conseguiram, por exemplo, Lula e Fernando Henrique na área. E olha que eles tiveram oito anos para isso. As medidas, porém, aliviaram a carga negativa sobre o presidente da República.

Tanto a reforma trabalhista como as mudanças nos juros de cartão de crédito e a autorização para saques em contas inativas do FGTS foram noticiadas como notícias altamente positivas. Críticas vieram apenas de centrais e focos ligados ao PT e aos partidos de esquerda que criticariam qualquer que fosse a proposta feita por um governo que não reconhecem.

Mais do que discutir o conteúdo das propostas, é importante reconhecer: ninguém apostaria que, em pouco mais de seis meses de mandato, demandas tão antigas como a reformulação do arcabouço das leis trabalhistas, a reforma da Previdência e o início de uma redução das escorchantes taxas de juros fossem colocadas. Sem falar na controversa proposta que define um teto de gastos.

Se impopular e com fama de corrupto Temer consegue fazer isso, imagine o que poderia fazer um governo identificado com a população, eleito diretamente pelo voto popular e livre das encrencas da crise moral que tomou conta do país?

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