BBB 2020

Conheça Thelma, a médica alvo de racismo formada com bolsas de estudo

Apesar do engajamento de Thelma com a questão racial, telespectadores apontam, em comentários nas redes sociais, que tanto ela como Babu têm sido vítimas de preconceito dentro do programa, sendo até excluídos por outros jogadores

Thelma Assis, 35, trabalhava em quatro hospitais, entre eles o Hospital do M’Boi Mirim e o do Servidor Público Municipal, em São Paulo, quando decidiu dar um tempo nos plantões de até 24 horas que fazia como médica anestesiologista para entrar no Big Brother Brasil 20.

Thelminha, como é chamada pelos amigos de dentro e de fora da casa, tem sido elogiada por ser autêntica, por ter posições firmes e também por dançar muito bem nas festas -ela desfila na Mocidade Alegre há 15 anos e, eventualmente, em outras agremiações.

Criada no bairro do Limão (zona norte de São Paulo) apenas pela mãe, Thelma fez cursinho por três anos após se formar no ensino médio até conseguir passar na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Sorocaba, onde estudou sem ter que pagar mensalidade.

“Tudo na vida da Thelma foi conquistado graças a bolsas de estudo, [foi assim] até na companhia de balé onde ela se formou e dançou por oito anos”, conta o fotógrafo Denis Santos, 35, marido de Thelma.

Durante o período em que se dedicou à faculdade de medicina, Thelma morou em uma pensão e ralava para pagar as contas, chegando a entregar panfletos na rua. Em um vídeo que mostra sua rotina antes de entrar no reality, ela se diz orgulhosa de ser quem é, mas frisa que nada foi fácil. “Eu me sinto muito empoderada. Tudo que eu tenho eu consegui com muito esforço e muita luta”, diz.

Médico anestesiologista, Gustavo Imbiriba, 29, trabalhou com Thelma por três anos quando atuou como residente do Hospital das Clínicas de São Bernardo (SP). Para ele, é possível que a médica continue a exercer a profissão mesmo que vença a competição –ela é apontada como forte candidata ao prêmio de R$ 1,5 milhão. “Thelma gosta muito do que faz, e é difícil se afastar de vez. Vai depender também do que surgir de oportunidade, mas ela é inteligente e vai saber o que fazer.”

THELMA NO JOGO

A sister também tem se destacado por falar de temas como racismo no BBB. Em uma conversa na casa, ela contou que, por causa da cor de sua pele, muitas vezes não é reconhecida como médica. “No hospital podem me dar qualquer função, menos de anestesista, de médica.”

O fato de ser a única mulher negra nesta edição do programa, assim como Babu é o único homem negro, aproximou os dois desde o início da competição. “A nossa cútis sempre nos aproxima”, disse certa vez a Babu, em tom amigável.

No último fim de semana, contudo, a declaração de Thelma de que poderá votar em Babu mobilizou as redes sociais. A frase, dita em conversa com Marcela, ocorria no momento em que Babu dizia a Felipe Prior que não indicaria Thelma ao paredão.

Marcela foi uma das primeiras amigas de Thelma na casa, mas acabou se distanciando, especialmente após a chegada de Daniel. Para críticos e telespectadores, embora tenha dado o “anjo” para Thelma no último paredão, Marcela não mantém com a amiga uma reciprocidade saudável como a que ela poderia ter com Babu e também com Manu e Rafa, de quem Thelminha se aproximou bastante nos últimos dias.

RACISMO ESTRUTURAL

Apesar do engajamento de Thelma com a questão racial, telespectadores apontam, em comentários nas redes sociais, que tanto ela como Babu têm sido vítimas de preconceito dentro do programa, sendo até excluídos por outros jogadores.

“Há, sim, um racismo não explícito. Não estou chamando ninguém de racista. É um racismo estrutural. A pessoa não percebe as bobagens que fala”, avalia o fotógrafo Denis Santos, marido de Thelma.

O racismo estrutural é definido pelo entendimento de que o preconceito racial não é uma anormalidade da sociedade, mas parte da formação das estruturas políticas, econômicas, jurídicas e sociais. Professora de História e pesquisadora de questão racial, Suzane Jardim acompanha o programa e concorda que exista racismo dentro da casa. Ela explica, contudo, que o racismo estrutural não pode ser desculpa para alguém continuar a ter atitudes problemáticas e deve ser um convite à mudança.

“Os comentários e ações individuais não são o ‘racismo estrutural’ em si e há exemplos melhores na própria estrutura do programa: ninguém acha estranho o fato de toda edição ter dois negros em meio a dez brancos ou mais, é o comum. Se convidassem mais negros falariam que é forçado ou estranho”.

Nesta terça-feira, a família de Thelma se posicionou e disse que vai processar o empresário Rodrigo Branco pelos comentários racistas dele em uma live. O empresário disse que Thelma só tem torcida por ser “negra coitada”.

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