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Esporte

Templo do futebol goiano, Serra Dourada completa 45 anos com futuro incerto

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Maior palco do futebol goiano e um dos principais estádios da história do futebol brasileiro, o Serra Dourada completa 45 anos nesta segunda-feira. Inaugurado em 9 de março de 1975, o Gigante do Cerrado recebeu ao longo dos tempos craques como Pelé, Maradona, Zico, Sócrates, Romário, Ronaldo, Kaká, Neymar, entre outros.

Contudo, o tamanho da importância do Serra Dourada é também o tamanho da preocupação de seus maiores protagonistas – os clubes de Goiânia – em relação ao futuro. Carente de ampla reforma estrutural, o Serra ainda não foi utilizado em 2020 e não há previsão para uma estreia na temporada.

Integrantes da Série A do Brasileirão, Atlético-GO e Goiás aceleram a ampliação de suas arenas particulares, o Antônio Accioly e a Serrinha, para não ficarem na mão. O Vila Nova, que já levou grandes públicos ao Serra Dourada, concentra esforços no Onésio Brasileiro Alvarenga para jogar a Série C.

Posição do Governo

Secretário de Esporte e Lazer de Goiás, Rafael Rahif não garante o Serra Dourada pronto para o início do Campeonato Brasileiro, porém, acredita que os clubes poderão sediar jogos no estádio ainda no primeiro semestre. O principal ponto de adequação a ser feito no momento é aumentar a capacidade de iluminação – que passou para 1.600 lux em 2020. Segundo Rahif, o processo é burocrático, mas já está em pauta.

– Estamos com todos os esforços. Existe um processo burocrático, um processo jurídico que temos que fazer para aprovar e levantar verba. Se não der para o começo do Campeonato Brasileiro, acho que estará pronto antes do fim do primeiro semestre.

Rafael Rahif, Secretário de Esporte e Lazer de Goiás, fala sobre o futuro do Serra Dourada — Foto: Wildes Barbosa / O Popular

Rafael Rahif, Secretário de Esporte e Lazer de Goiás, fala sobre o futuro do Serra Dourada — Foto: Wildes Barbosa / O Popular

Segundo o secretário, a atual gestão herdou um Serra Dourada cheio de problemas, como o gramado, os vestiários e os banheiros, por exemplo. Ele acredita que o estádio estará em boas condições de uso ao término do mandato, em 2002.

– Nossa gestão está empenhada em melhorar as condições de conforto e segurança. Estamos desenvolvendo projetos de olho em qual seria a prioridade dessas várias intervenções que temos que fazer. Sou muito confiante. Estamos revitalizando o campo e poderemos ter algumas novidades ainda em 2020. Não dá para fazer tudo de uma vez, mas acho que ainda neste mandato entregaremos o Serra em condições muito melhores do que recebemos.

Apesar do empenho de Atlético-GO, Goiás e Vila Nova em melhorar seus estádios particulares, Rafael Rahif, Secretário de Esporte e Lazer de Goiás, não acredita que o Serra Dourada será colocado para escanteio e cairá no esquecimento.

– Não acredito que o Serra fará de lado. Os clubes estão fazendo obras magníficas em suas praças, mas o Serra é e sempre vai ser o símbolo do nosso futebol. Os clubes vão querer jogar aqui também, acredito que o estádio não cairá em esquecimento até pela capacidade de público – diz.

O que dizem os clubes

Adson Batista (presidente do Atlético-GO)

Adson Batista, presidente do Atlético-GO, está preocupado com o futuro do Serra Dourada — Foto: Paulo Marcos

Adson Batista, presidente do Atlético-GO, está preocupado com o futuro do Serra Dourada — Foto: Paulo Marcos

– A situação é muito preocupante. Espero que o Governo consiga resolver, porque os clubes não têm condições, eles estão ampliando os seus próprios estádios. Mas em algumas partidas teremos que jogar no Serra Dourada. O Serra é muito importante para a sociedade goiana, ele leva o nome do nosso futebol e do nosso estado para o mundo inteiro. O estádio sempre foi referência no futebol brasileiro, mas ficou para trás. Carece de uma grande reforma. O jogo contra o Flamengo já será na segunda rodada (da Série A), talvez seja o jogo mais importante do ano. E preocupa muito porque não podemos levar a partida para outro estado.

Marcelo Almeida, presidente do Goiás

Marcelo Almeida, presidente do Goiás, diz que Verdão tem duas casa e espera atuar no Serra Dourada — Foto: Marcos Ribolli

Marcelo Almeida, presidente do Goiás, diz que Verdão tem duas casa e espera atuar no Serra Dourada — Foto: Marcos Ribolli

– O Serra Dourada é nossa casa. Nós temos duas casas. Uma é a nossa, a Serrinha, que é um sonho antigo. Mas com o projeto executado, nossa casa poderia receber 20 mil pessoas. A outra casa é o Serra Dourada, que tem a dimensão para receber o evento de grande porte, mas hoje não tem a estrutura necessária. É um estádio antigo. A reforma custaria muito dinheiro. A pergunta que faço é: o Estado tem esse dinheiro? Para mim, essa obra tinha que ser federal. O Governo Federal está pronto? Hoje o Serra Dourada não tem condição de receber jogo nem de grande nem de pequeno porte. A CBF tem uma série de exigências e pode vetá-lo. Felizmente, a Secretaria (estadual) já sinalizou que os jogos podem acontecer.

Hugo Jorge Bravo (presidente do Vila Nova)

Hugo Jorge Bravo, presidente do Vila Nova, diz que pretende mandar jogos no OBA — Foto: Wildes Barbosa/O Popular

Hugo Jorge Bravo, presidente do Vila Nova, diz que pretende mandar jogos no OBA — Foto: Wildes Barbosa/O Popular

– É um estádio que não foi modernizado ao longo do tempo. Acho que é preciso implantar aquele conceito de arena multiuso, fazer uma melhor divisão entre as torcidas e dar mais conforto. Ao longo de 45 anos não houve essas reformas, por isso, hoje sofremos os reflexos. Temos interesse durante o ano de 2020 de tornar o Onésio Brasileiro Alvarenga como nosso principal palco, mas lógico que em algumas situações, dependendo da demanda, a gente pode analisar. A gente sabe das dificuldades, mas esperamos que o Serra Dourada volte a receber grandes públicos.

História e curiosidades

Convide da inauguração do estádio Serra Dourada, em 1975 — Foto: O Popular

Convide da inauguração do estádio Serra Dourada, em 1975 — Foto: O Popular

O engenheiro Lamartine Reginaldo e os arquitetos Armando Scartezini, Ariel Costa Campos e Silas Varizo foram os responsáveis pela construção do Serra Dourada, que durou dois anos. O projeto arquitetônico, inovador para a época, é de autoria do arquiteto e urbanista capixaba Paulo Mendes da Rocha, que, em 2006, foi condecorado com o Prêmio Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial.

O primeiro jogo, em março de 1975, foi disputado entre a Seleção Goiana, repleta de jogadores históricos do futebol local, e Portugal. Os goianos venceram de virada, com gols de Lincoln, o “Leão da Serra”, e Tuíra. O primeiro gol do Serra Dourada foi marcado pelo português Octávio. Autor do primeiro gol brasileiro, Linconl relembra o lance e conta olhou em direção ao Rei Pelé na comemoração. Pelé estava presente nas tribunas do Serra.

– O Fernandinho tocou para mim e correu para receber de volta. Quando ele correu, eu vi que a marcação foi para cima dele. Fiz a finta, bati de esquerda, e a bola entrou no cantinho. Foram 77 mil pessoas extasiadas. Saí vibrando e olhando para o Pelé, que estava lá em cima assistindo. Foi a primeira explosão de alegria do Serra Dourada. Eu e meus colegas ajudamos a proporcionar isso. Mas como quem faz o gol fica na história, então fiquei na história.

Túlio Maravilha, ex-atacante goiano, é o maior artilheiro da história do Gigante da Serra, com 131 gols marcados. Além dele, outros craques desfilaram pelo estádio, como Pelé, em jogo beneficente no ano de 1983, Zico, pela seleção brasileira e pelo Flamengo, Maradona, pela Argentina na Copa América de 1989, Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Kaká, pela seleção brasileira, e também Neymar, com as camisas do Santos e do Brasil.

Fernandão

Além de Túlio Maravilha, outro atacante goiano brilhou no Serra Dourada. Ídolo do Goiás, Fernandão fez uma obra-prima na Série B de 1999, no empate por 4 a 4 contra o Bahia. Ele marcou um golaço de bicicleta da entrada da área na campanha do título esmeraldino. Fernandão morreu em acidente de helicóptero em junho de 2014 e até hoje suas atuações no Serra estão marcadas na memória do torcedor esmeraldino.

Fernandão também viveu grandes momentos no Serra Dourada — Foto: O Popular

Fernandão também viveu grandes momentos no Serra Dourada — Foto: O Popular

Grandes jogos

Além do amistoso contra Portugal, a Seleção Goiana enfrentou o Brasil, em 1978, antes da Copa do Mundo da Argentina. A vitória do Brasil por 3 a 1 está marcada pelo público de 77.790 pagantes, até hoje o maior da história do Serra Dourada.

Em 1981, em uma das partidas mais polêmicas da história do futebol brasileiro, Flamengo e Atlético-MG se enfrentaram em um jogo desempate pela Libertadores. O Galo Mineiro teve cinco jogadores expulsos. Foi uma atuação pra lá de polêmica do árbitro José Roberto Wright. A partida foi encerrada, classificando o Flamengo.

Flamengo e Atlético-MG se enfrentaram no Serra Dourada em jogo bastante polêmico pela Libertadores de 1981 — Foto: Eurico Dantas / Agência O Globo

Flamengo e Atlético-MG se enfrentaram no Serra Dourada em jogo bastante polêmico pela Libertadores de 1981 — Foto: Eurico Dantas / Agência O Globo

Em julho de 1989, a Argentina, de Maradona, venceu o Chile por 1 a 0, pela Copa América. O atacante Caniggia marcou o gol da partida. Foi o primeiro dos quatro jogos de Maradona no Serra Dourada. Nenhum outro estádio brasileiro recebeu o craque argentino tantas vezes.

A seleção brasileira também atuou várias vezes no Serra Dourada. O último dos 14 jogos foi a vitória por 4 a 0 sobre o Panamá, em junho de 2014, encerrando a preparação para a Copa do Mundo. O Brasil também enfrentou no Serra a Holanda, duas vezes, a Argentina, no Superclássico das Américas de 2012, e a Bolívia, num amistoso em 2002 que abriu caminho para vários jogadores se firmarem no ano do Penta, na Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão.

Maradona em ação no Serra Dourada em jogo da Argentina com Uruguai, em 1989 — Foto: O Popular

Maradona em ação no Serra Dourada em jogo da Argentina com Uruguai, em 1989 — Foto: O Popular

Goianos no Serra

Goiás

O Goiás, além do título da Série B em 1999, também teve vários momentos marcantes no maior estádio do futebol goiano. Em 1990, enfrentou o Flamengo na final da Copa do Brasil. Em 2006, jogou pela Libertadores, sendo eliminado pelo Estudiantes, da Argentina.

Em 2010, o Verdão foi vice-campeão da Copa Sul-Americana, vencendo o Independiente, também da Argentina, no jogo de ida da final – na volta, em Avellaneda, perdeu nos pênaltis. Também foi no Serra Dourada que o Goiás aplicou 6 a 1 no rival Vila Nova, em 2009, a maior goleada da história do clássico. No ano passado, o Esmeraldino recebeu os maiores clubes do país em jogos do Campeonato Brasileiro.

Goiás fez grandes jogos no Serra Dourada no ano passado — Foto: Felipe Zito

Goiás fez grandes jogos no Serra Dourada no ano passado — Foto: Felipe Zito

Vila Nova

O Vila também aprontou das suas no Serra. Também contra o Goiás, o Tigre protagonizou incrível virada em 1999. Depois de ter um jogador expulso ver o rival abrir 3 a 0 no início do segundo tempo, o Vila marcou cinco gols, venceu por 5 a 3 e deixou metade dos 47 mil pagantes em êxtase. O Goiás também teve um jogador expulso no lance que originou o pênalti do primeiro gol colorado.

Em 2015, o Vila Nova foi campeão da Série C ao vencer o Londrina, de virada, por 4 a 1. O público de 40.914 pagantes foi o último a romper a barreira dos 40 mil torcedores no estádio.

Vila Nova foi campeão da Série C de 2015 com mais de 40 mil torcedores no Serra — Foto: Carlos Costa / Estadão Contéudo

Vila Nova foi campeão da Série C de 2015 com mais de 40 mil torcedores no Serra — Foto: Carlos Costa / Estadão Contéudo

Atlético-GO

O Atlético-GO, campeão da Série B de 2016 no Olímpico, disputou vários jogos da vitoriosa campanha no Serra Dourada. Foi também no Gigante do Cerrado que o Dragão venceu a Série C de 1990 ao bater o América-MG na final. Foi o primeiro clube goiano a conquistar um título brasileiro.

Outro feito marcante do Atlético-GO no Serra Dourada foi o título goiano de 2007. Mais do que encerrar um jejum de 19 anos sem títulos estaduais, a partida coroou o renascimento do clube, que quase encerrou as atividades após o rebaixamento no Campeonato Goiano de 2003. Anaílson marcou um belo gol na final contra o Goiás.

* Colaboraram Guilherme Gonçalves, Karina Azevedo, Rafael Sebba, Rodrigo Castro e Victor Hugo Araújo

Com golaço de Anaílson, Atlético-GO foi campeão goiano em 2007 — Foto: Ricardo Rafael / O Popular

Com golaço de Anaílson, Atlético-GO foi campeão goiano em 2007 — Foto: Ricardo Rafael / O Popular

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