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Felipe Melo explica versão mais light no Palmeiras, mas avisa: “Em campo não tem essa de cristão”

Leia (e ouça no podcast) entrevista exclusiva do "Pitbull" ao GloboEsporte.com

Menos faltas, menos cartões. Mais brincadeiras e mais elogios. Felipe Melo vive, e ele próprio admite, um começo de 2020 muito mais light do que nos últimos anos da carreira, incluindo os primeiros três de Palmeiras.

As mudanças passam pela chegada de Vanderlei Luxemburgo ao clube. O técnico deu ao até então volante uma nova posição em campo, recuando-o à zaga, e uma responsabilidade a mais: a de ser um líder de fato, com a braçadeira de capitão, também dentro das quatro linhas.

A versão mais moderada, porém, tem limite. Em entrevista ao GloboEsporte.com – cuja versão completa está disponível em formato de podcast no GE Palmeiras –, Felipe Melo avisou que não vai deixar de dar um carrinho ou uma entrada dura quando necessário.

– Sou muito cobrado porque sou evangélico e tenho falado muito de Deus, faço postagens lendo a Bíblia, é uma coisa que me ajuda muito. (…) Em campo não tem essa de cristão ou não cristão. Você nunca viu o Felipe Melo dar uma entrada descabida e desleal, nunca tirei um cara de jogo – defende o jogador de 36 anos.

– Mas entradas fortes vão acontecer, faz parte da minha característica, faz parte do meu jogo. Sempre com muita responsabilidade, óbvio (risos). Mas é um momento bem mais light.

Você sabia que o Felipe Melo já fez um convite para o Ibrahimovic jogar no Palmeiras? Saiba o que o jogador falou para o atacante sueco no podcast acima.

Felipe Melo, do Palmeiras, em entrevista ao GloboEsporte.com — Foto: Tossiro Neto

Felipe Melo, do Palmeiras, em entrevista ao GloboEsporte.com — Foto: Tossiro Neto

Veja mais trechos da entrevista:

GloboEsporte.com – Você tem participado mais de brincadeiras na TV Palmeiras, a apresentação do Matías Viña também foi um momento engraçado. Teu 2020 está mais leve?
Felipe Melo –
 Estou mais tranquilo. Não digo mais focado, porque sempre estive focado. Não existe a possibilidade de estar mais focado. Mas mais tranquilo, sim, mais maduro. É normal da vida isso, a gente vai adquirindo idade, os anos vão chegando, vamos ficando mais velho, mas com isso vai chegando a experiência. É normal.

No campo, você continua igual, firme, viril. Fora de campo, você está mais paz e amor, menos polêmico?
– Fora de campo eu sempre fui um cara tranquilo, muito de paz. É claro que a gente vai vendo onde tem alguns erros e vai consertando, vai fechando algumas brechas que ficaram no passado. Mas sempre fui um cara muito tranquilo, paizão e amigo. As pessoas às vezes como não conhecem o Felipe Melo pai, filho, amigo e esposo, eles tiram lição do Felipe Melo dentro de campo, que é o Felipe Melo “Pitbull”. Não é dessa maneira. Fora de campo, sou um dos caras que mais sacaneia, que mais brinca, sobretudo em casa. Quem me conhece sabe da maneira que eu sou.

Você chegou onde está desse jeito. Perder isso agora não faz sentido…
– Não tem como. Burro velho já era (risos). Não tem como perder, não. Eu deixei algumas coisas para voltar ao Brasil. Até na minha família falavam “não volta para o Brasil, cara. Você está na Inter de Milão, está bem, os caras querem renovar seu contrato. Para que voltar ao Brasil?”. Eu falei porque não alcancei ainda uma idolatria no Brasil, um país que eu amo. Sempre pensei em poder voltar. Ganhei alguns títulos importantes no Brasil quando era jovem, mas meu sonho era voltar, me tornar ídolo de um grande clube sendo campeão. A idolatria vem com títulos. Mas mais do que isso, ser importante na conquista de um título. Isso aconteceu. Vim para cá e fomos campeões.

– A idolatria vai vindo a cada jogo e cada momento. Isso para mim foi importante. O meu filho Lineker hoje mora comigo, mas até então não morava. Alguns amigos aqui não sabiam quem era o Felipe Melo e tinham aquela imagem do Felipe Melo apenas “Pitbull”. Quando vem na mente das pessoas, de repente, vem o Felipe Melo que deu um carrinho, mas não vem o Felipe Melo que deu um passe para o Robinho. Se não fosse o Felipe Melo e fosse outro, talvez fosse uma das maiores assistências da história da Copa do Mundo. Hoje posso demonstrar que não é só o “Pitbull”, é um passe de três dedos também, uma virada de 70 metros. Eu tenho recurso, e esse recurso me acompanhou por toda a minha carreira. Só tenho a agradecer a Deus por esse recurso técnico que eu tenho e ao “Pitbull”.

Felipe Melo com a braçadeira de capitão em ação pelo Palmeiras — Foto: RICHARD CALLIS/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Felipe Melo com a braçadeira de capitão em ação pelo Palmeiras — Foto: RICHARD CALLIS/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Já conseguiu alcançar essa idolatria no Palmeiras? E já conseguiu mudar um pouco a opinião das pessoas aqui no Brasil nesse sentido que não considerava tão bom?
– Nível técnico, sim. Eu já vi certos jornalistas que me chamavam de “pé duro” falar que “nível técnico do Felipe Melo nunca foi contestado”, mas ele mesmo já contestou (risos). Mudou. Sobre idolatria, me perguntaram anos atrás, antes mesmo de ser campeão, se eu me considerava ídolo e eu falei que sim, para algumas pessoas, que tem gente que me chama de ídolo. E foi uma bomba, “como é que pode, ele falou que é ídolo”… Então não me considero ídolo. Tem de perguntar para cada torcedor e ver o que ele vai falar. Vamos buscar quando conquistar mais títulos, mais história. Faltam poucos jogos, inclusive, para o Palmeiras ser o clube que eu mais atuei na minha carreira. Estou em busca disso, vai ser muito importante.

Alguns te falam que é ídolo?
– Vários torcedores têm tatuagem com a minha assinatura. Ganhamos um título importante, eu fui importante no título. Meu sonho foi realizado. Eu vivo de sonho. Automaticamente tenho outros sonhos a serem realizados. São focos e metas, objetivos que temos aqui. Conforme vai ganhando, vai aumentando a idolatria, normal.

Prova da tua identidade com o Palmeiras é ter virado capitão. Como foi o papo com o Luxemburgo na pré-temporada?
– É com muito pesar que eu falo, mas com orgulho. Eu literalmente briguei por causa do Palmeiras. A briga lá no Uruguai não foi uma briga por causa da minha fala. Foi porque eles perderam o jogo, vieram para cima e eu literalmente briguei pelas cores do Palmeiras, pelos meus companheiros e por mim também naquele momento. A identificação vem. No início, quando eles fizeram a música sem eu ter estreado para mim foi muito importante. Aquilo foi muito legal. Tive música na Fiorentina, na Juventus, mas não como essa (“o bagulho é louco, Felipe Melo, pitbull, cachorro louco”). Foi muito importante e com certeza faz a diferença quando entro em campo para lutar por eles também.

– Quanto à capitania, eu sempre tive espírito de liderança muito grande, desde pequeno. Sinceramente não é a faixa de capitão que faz você ser líder ou ser respeitado. Sempre fui muito respeitado aqui dentro. Quando eu falo as pessoas param para escutar porque sabem que vai vir coisa importante e coisa boa. Sou um cara que também aprende muito, sei escutar qualquer. Não importa a idade que vem falar comigo, eu vou saber escutar. A gente procura ajudar os mais jovens porque a gente passou por essa idade, se tiver que dar uma dura, vamos dar, porque é normal, quando a gente gosta a gente cuida, a gente quer o bem, repreende da maneira que tem de ser repreendida.

– É importante também a questão da capitania, não faz o Bruno Henrique deixar de ser capitão, o Willian… Temos várias lideranças dentro do Palmeiras, todas respeitadas. Em um momento o Luxemburgo me chamou e falou “você é meu capitão”, e chamou o Bruno Henrique e os outros líderes para passar para todo mundo. Foi bem aceito assim como quando era o Dudu e foi o Bruno Henrique, foi aceito da melhor maneira possível.

Vanderlei Luxemburgo e Felipe Melo em treino do Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli

Vanderlei Luxemburgo e Felipe Melo em treino do Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli

Foi ideia tua o jantar do elenco. Por que aquela reunião?
– Foi legal. Na realidade nós temos esse costume na Europa. Temos Luiz Adriano e Ramires, que jogaram muito tempo lá fora. Eu, por exemplo, em certos clubes, toda quinta-feira, nós tínhamos um jantar. Às vezes alguém esticava um pouquinho mais. Claro que o calendário europeu é diferente do nosso aqui, então muitas vezes tínhamos um jogo no domingo e dava para sair na quinta-feira, jantava, dava uma esticada até umas duas da manhã, sempre com responsabilidade porque nosso corpo é nossa ferramenta de trabalho.

– Sempre quis trazer isso para cá, foi uma oportunidade que nós tivemos de fazer isso aí. Não só o Felipe, todos aqui estamos com a ideia de fazer nem que seja uma por mês. Não só com jogadores, de repente mais para frente fazer com a família, cada um leva a sua esposa. Isso aí acho que na hora de correr para o companheiro faz a diferença. Isso cria uma intimidade. Temos amizade e companheirismo aqui dentro, mas quando entra num nível de intimidade faz diferença.

– Conhece, brinca, dá risada… Claro que como em toda família de repente tem um que teve uma discussão com outro, e em um momento como esse aí acaba tudo, fica para trás. É importante. Eu já vi clubes no Brasil fazendo isso aí. No ano passado fizemos alguns. Não é porque virei capitão. Espero que nesse ano a gente possa criar mais intimidade um com o outro. Essa intimidade no final faz com que a bola entre e a gente ganhe títulos importantes.

Como foi o papo com o Luxemburgo para virar zagueiro?
– Ele me chamou, falou comigo e perguntou o que eu achava de jogar de zagueiro. É engraçado porque algumas pessoas colocam de forma irresponsável notícia para outras que não é legal. Eu vi várias pessoas falando que o Luxemburgo falou para o Felipe que se não for zagueiro tchau. E no último jogo ele me colocou de volante. Ele me deixou bem tranquilo para decidir onde é que eu brigaria por posição, porque aqui ninguém tem posição garantida. É claro que temos os ídolos, as estrelas como é o Dudu, que é ídolo e estrela do time. Mas se jogar três ou quatro jogos mal vai vir um cara e querer ganhar a posição dele. Assim é comigo, com o Weverton e com qualquer um. É por isso que temos um elenco qualificado. Ele me deixou tranquilo para decidir, falei que ainda dava caldo jogando de volante. Ele deu risada e falou “eu sei disso”. Mas deixei bem claro que estou aqui para ajudar, foi isso que eu falei quando cheguei aqui, que gostaria de me sentir útil. Então se essa utilidade for na zaga, sem problema, só pedi a ele para me ajudar a me tornar um dos melhores zagueiros do Brasil

Felipe Melo participou da apresentação do uruguaio Matías Viña — Foto: Fabrício Crepaldi

Felipe Melo participou da apresentação do uruguaio Matías Viña — Foto: Fabrício Crepaldi

Está correndo menos mesmo na zaga?
– Estatisticamente, você corre menos. Está comprovado, zagueiro corre menos do que um volante. Mas vou dar exemplo do Thiago Santos, que é um cara que corre muito no campo. É um cara que sai daquela zona que chama de zona do volante. Surgiu uma palavra nova, um treinador antigo usou a palavra “caçar”. O cara vai correr bem mais. Sempre falei para o Thiago que ele tem uma capacidade de roubar a bola que poucos têm no mundo. Que se atrelar isso aí a um trabalho técnico vai voar. Sempre gostei muito do Thiago Santos, um cara que sempre me ajudou nesse sentido de roubar a bola. Mas eu, taticamente, até por tudo o que eu vivi fora do Brasil, sei dos atalhos.

– De repente há dez anos eu corria muito para caçar, com 36 eu não corro mas roubo a bola aqui, pego um rebote aqui. É diferente. Claro que na zaga você corre menos, mas é muito diferente. O posicionamento do corpo, você saber que o cara pode sair de trás. Como aconteceu no segundo jogo que eu joguei, o time americano, o cara me antecipou e não pude fazer nada. No terceiro jogo, o primeiro do Paulista, já estava olhando e onde estava vindo. São coisas que você vai aprendendo, automaticamente a cada treinamento vai melhorando, mas demanda tempo, curto, mas demanda tempo.

– Eu estou com o Luxemburgo. O Luxemburgo fez o Sergio Ramos jogar na zaga. Dentre outros grandes jogadores. O Mauricio (Copertino) é um cara que é a primeira vez que estou trabalhando, muito inteligente, sabe o que faz, está ajudando muito. E estou jogando com o Gustavo Gómez, que é um cara rico em inteligência ali atrás e nos ajuda bastante.

Ge 

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