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Análise: do baile ao susto, Flamengo vê roteiro de goleada se transformar em drama contra o Fluminense

Time de Jorge Jesus tem uma hora no mais alto nível, bota o rival na roda, mas desperdiça oportunidades. Zaga tem noite ruim e vaga na final chega em clima de tensão

O médico e o monstro. A bela e a fera. O baile e o susto. Foi mais ou menos assim a atuação do Flamengo na vitória por 3 a 2 sobre o Fluminense, na noite de quarta, no Maracanã, que valeu uma vaga na final da Taça Guanabara.

A parte do baile foi mais longa, é preciso pontuar. Por uma hora de bola rolando, o Flamengo relembrou os melhores momentos de 2019, colocou o Tricolor na roda e fez “só três gols”. Muito por boas defesas de Muriel, mas também pela certa displicência de quem é muito seguro de si.

A meia hora final do clássico, porém, foi totalmente oposta. O time que dita o rumo do jogo, ataca e amassa o adversário deu lugar a outro, desorientado e que se safou no sufoco de uma inimaginável eliminação visto a maneira que o jogo transcorria.

Filipe Luis e Fernando Pacheco em ação no Fla-Flu — Foto: LUCAS MERÇON/ FLUMINENSE F.C.

Filipe Luis e Fernando Pacheco em ação no Fla-Flu — Foto: LUCAS MERÇON/ FLUMINENSE F.C.

Começando pela parte boa, o Flamengo escancarou no Maracanã o abismo técnico para seus rivais diretos. O primeiro tempo foi de um time que praticamente não deixava passar do meio de campo um Fluminense atônito e assustado, como se não entendesse o que estava acontecendo.

Desde o minuto inicial (literalmente) com marcação avançada, o Flamengo deixava Muriel, Luccas Claro e Digão em apuros na saída de bola e a recuperava com imensa facilidade. Assim, teve origem o escanteio que resultou no gol de Bruno Henrique.

A marcação ajustada não era fruto de uma correria desenfreada de Gabriel ou Bruno Henrique para cima dos zagueiros. O Flamengo avançava como uma flecha na medida em que os atacantes davam o primeiro bote. O time todo subia e encurtava os espaços, como no passe errado de Wellington Silva para o gol de Gabigol.

Esse foi o roteiro de toda etapa inicial, quando a performance da dupla de zaga com a bola nos pés foi o ponto fraco. Gustavo Henrique e Léo Pereira ainda buscam sintonia fina com o resto do time (normal para esta altura da temporada) e obrigavam Diego Alves a quebrar a bola na frente mais do que o habitual.

Na volta do intervalo, o Fluminense até assustou logo de cara, mas o Flamengo seguia dando a entender que chegaria ao gol de Muriel quando quisesse. Com trocas de passes rápidas, o time encontrava com facilidade espaços nos arredores da área. Desta maneira, Filipe Luís fez 3 a 0.

Foi a dança final de um baile que passou a ser perigoso a medida que o Fluminense se mandava no estilo “nada a perder”. Apesar de dominado, o Tricolor manteve sua convicção de jogo. Postura que surpreendeu e acuou um Flamengo que começava a perder as pernas.

O gol de Luccas Claro em vacilo de Léo Pereira e de Evanilson em cochilada de Gustavo Henrique deixavam claro que Odair Hellman já tinha identificado o ponto de desajuste no carrossel rubro-negro. E por ali o Flu castigou.

Visivelmente cansado, o Flamengo não segurava a bola, não respirava, e tinha uma correria tricolor do outro lado para conter. O jogo virou. O placar não.

Na marra, na catimba e no ajuste da linha alta que gerou três impedimentos (dois gols e um pênalti, todos bem anulados), o Flamengo segurou a vitória. Vaga na decisão e uma lição: não basta ser (muito) melhor, tem que resolver para não sofrer.

Ge

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