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Opinião Jogo Aberto – 12 de Setembro de 2019

Pilares do poder.

Confrontado com os desafios que um mandato presidencial apresenta, o governo ainda busca identidade, dividido entre os grupos que alçaram Jair Bolsonaro ao poder. Chegou lá carregado pelo antipetismo e o chamado lavajatismo. Contou com os movimentos formados nas ruas e os liberais esclarecidos. No poder, a bordo de um partido ideologicamente fragmentado, precisa lidar com este universo para manter a governabilidade.

Da identidade com as ideias do ministro da Economia, Paulo Guedes, vieram os liberais, que apesar de não serem numerosos, encontram-se organizados e possuem voz. Guedes é fiador do apoio desta turma, que também se ramifica pelo mercado financeiro e empresários.

O lavajatismo também impulsionou o governo a ser eleito.

Os desdobramentos dos movimentos de Curitiba mostraram um Brasil ainda desconhecido para muitos. As prisões, condenações e operações alçaram o nome de Sergio Moro ao cenário nacional. Sua entrada no governo carrega um imenso valor simbólico, representando a luta contra a corrupção.

Das ruas ainda vieram apoios de diversos movimentos organizados desde o impeachment de Dilma Rousseff (PT), que enxergaram em Bolsonaro um nome capaz de romper com as estruturas atrasadas do Estado brasileiro. Com forte apelo nas redes sociais, foram determinantes para mobilizar a população em momentos cruciais desse processo de transição pelo qual passa o país.

De outra frente vieram os militares, que assumiram postos estratégicos no governo desde sua concepção, tanto na reta final de campanha, quanto na transição. Seguem ampliando sua presença na medida que as crises ocorrem. Tornaram-se fiadores do governo, seu principal pilar, sustentáculo basilar de Bolsonaro.

No mundo político, a sustentação vem de um grupo desconexo que abriga desde “feministas de direita”, passando por monarquistas, militares e policiais reformados, pastores, ativistas de redes sociais, narradores e apresentadores de televisão, empresários, entre outros. Praticamente todos devem sua eleição a onda Bolsonaro, porém ainda não conseguiram se firmar como uma força coesa do governo no Parlamento.

Fato é que Bolsonaro precisa conservar e construir pontes. Seu governo depende de todos estes pilares para ainda se firmar. Foi criada uma nova estrutura de poder onde se assentam as bases do bolsonarismo. O presidente precisa manter todas intactas para conservar a governabilidade e estabilidade de sua administração.

Militares, lavajatistas, liberais e antipetistas são pilares indissociáveis que mantém a ideia de um bolsonarismo vivo. Acreditar que este movimento é o fio condutor da nação, longe dos pilares que o sustentam, é um erro que pode se tornar fatal. Uma construção de governo se faz com grupos, que rifados podem tornar-se sérios adversários na disputa pelo poder. Ao desprezar aliados, a solidão do poder se impõe de forma dolorosa e implacável. Afinal, a democracia ensina que ninguém governa sozinho.

Por Marco Aurélio

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