Educação

Ensino bilíngue: moda passageira ou investimento necessário?

Em um mundo globalizado e dominado por novas tecnologias, falar uma segunda língua é fundamental. Por essa razão, muitos pais se perguntam se vale a pena colocar os filhos em uma escola bilíngue, até porque o investimento é alto. O primeiro passo é entender a diferença entre o ensino bilíngue, as escolas de idioma e os colégios internacionais.

Nos cursos ou nas aulas de inglês, os estudantes aprendem a partir de estruturas gramaticais da língua e do vocabulário.

Os colégios internacionais adotam não apenas a língua, mas todo o currículo e carga horário do país de origem. “No geral, os estudantes desse tipo de escola seguem para a graduação ou cursos no exterior”, diz César Barreto, gerente de avaliações do British Council.

A proposta da escola bilíngue é que o estudante faça uma imersão e tenha formação em duas línguas, tanto na materna como naquela sugerida pela escola. A mais comum é o inglês. O conteúdo em sala de aula é ensinado tanto em português como no segundo idioma e segue a grade curricular brasileira.

“O aluno pode ter aulas de matemática em inglês e depois em português”, explica o CEO da Maple Bear, Arno Krug. “Nas escolas bilíngues, os estudantes têm a mesma carga horária em português e na língua estrangeira.”

“A criança aprende a língua por meio de outros conteúdos e assimilam um segundo idioma de maneira mais orgânica”, avalia Vanessa Tenório do Systemic Bilingual. “Muitas escolas hoje aumentam o número de aulas de inglês, sem, no entanto, ser efetivamente uma escola bilíngue, os pais devem ficar atentos para não levar gato por lebre.”

Pais devem ficar atentos à formação dos professores
Pais devem ficar atentos à formação dos professoresPixabay

Uma vantagem do estudante exposto ao ensino bilíngue é o “ajuste fonético”, como observa Barreto. A criança consegue estabelecer conexões e perceber, de maneira quase automática, as diferenças de pronúncia nos diferentes idiomas.

Bom ou Mau?
O sistema bilíngue é melhor para a criança? Para Barreto, não há certo ou errado. “O que existe é a expectativa da família e a proposta pedagógica da escola, que precisam estar alinhadas”, avalia Barreto.

Para quem pretende morar fora do Brasil ou estudar no exterior, a escola bilíngue pode ser mais atrativa, por exemplo. O que não quer dizer que um curso de idiomas é uma opção ruim. Mais uma vez, a escolha deve ser feita de acordo com as necessidades da família. “A criança aprende em todos os contextos, quanto mais estímulos, melhor.”

Bilíngue com jeitinho brasileiro
Uma questão importante é a falta de uma legislação federal que regule essa modalidade no Brasil. “Não temos, por exemplo, uma definição do número de horas mínimas para que a escola seja considerada bilíngue”, afirma Vanessa.

“Alguns Estados como Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina tem algo nesse sentido, mas como não temos uma lei federal e tudo fica confuso”, avalia Barreto.

Avaliação
Outro ponto que merece atenção especial dos pais é a formação dos professores. No Brasil, o índice de proficiência em inglês é muito baixo. Vale questionar? será que todos esses profissionais recebem o treinamento adequado?

Antes de escolher a escola é preciso confirmar qual o tipo de formação dos professores, se eles são de fato fluentes na língua, se são avaliados e com qual frequência. Avalie também se a grade curricular foi adaptada ao ensino bilíngue.

“E o principal, como os alunos serão avaliados, quais provas farão ao longo desse ciclo para confirmar se adquiriram o conhecimento esperado e se a escola entregou aquilo que prometeu”, orienta Barreto.

r7

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