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Opinião Jogo Aberto – 19 de Março de 2019

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Um grande teatro.

O presidente Bolsonaro vem cumprindo promessas da campanha que o levou ao Palácio do Planalto, embora valendo-se de um oscilante capital político, mas, reconheçamos, com certa coragem. Uma dessas promessas, e que cabe destacar, é a extinção de 21 mil cargos comissionados que deputados, senadores e partidos políticos tinham à disposição para festiva e graciosa distribuição entre seus apoiadores, cabos eleitorais, parentes e amigos, representando um gasto, segundo dados oficiais, de R$ 195 milhões por ano. O número certamente é maior, porque, dividindo-se R$ 195 milhões por 21 mil cargos, chega-se a R$ 9.240 por ano, e essa cifra não satisfaria a ninguém que busca mordomias e facilidades com o dinheiro público. É muito maior.

Quando o penduricalho vem de Brasília, o agrado tem que ser mais polpudo para compensar a marca de aproveitador para o beneficiado e de ladrão para o político concedente.

Por essa e outras medidas tomadas dentro dos seus primeiros cem dias de governo, Bolsonaro dá mostras de estar mais bem assentado na cadeira de presidente e, parece, vem dando voz especialmente a dois ministros que sabem o que podem dizer sem comprometer o andar da sua agitada carruagem: Paulo Guedes e Sergio Moro, exatamente os que ora o acompanham na viagem aos EUA.

Como nem tudo são flores, o presidente tem também dificuldades com sua equipe, nomes que deveriam ajudá-lo na tarefa de uma construção mais sólida de seu governo. Exclua-se Olavo de Carvalho, vulgo guru e autointitulado filósofo, um destemperado capaz de chamar o vice-presidente da República, o general Mourão, de “idiota” e que ainda se esforça para que o governo gravite em torno de suas ideias, de discutível utilidade todas elas. Guru não é função pública, e essa é nossa sorte.

Bolsonaro anda sobre minas que, ao menor descuido, podem explodir. Não apenas aquelas enterradas na sala da casa pelos filhos, porque cada um deles tem um inesgotável e vigoroso repertório e pólvora próprios para gerar pequenos problemas ao pai e desencontros ao país, na mesma medida. O que preocupa é maior. É que o governo Bolsonaro está sempre defrontando-se com muralhas que vêm sendo erguidas dentro de seu próprio palácio e de seu próprio partido.

Num momento em que se tenta colocar em marcha uma inadiável agenda de reformas, o presidente Bolsonaro tem o desserviço de vários de seus emissários na relação com instituições e com os demais Poderes. Exemplo vem da líder do seu governo no Congresso, uma deputada de primeiro mandato, que entende que, por ter sido a “mulher mais bem-votada e eleita na história da Câmara dos Deputados”, como ela mesma, Joice Hasselmann, se apresenta, isso lhe dá credenciais para dizer o que pensa, a respeito de qualquer assunto, e assim o faz como porta-voz de um governo que precisa acertar.

Tiririca também foi o palhaço mais bem-votado do Legislativo brasileiro e nem por isso conseguiu influir no Parlamento. Ficou calado e, portanto, em nada é lembrado. A exaltada e falante Joice pode entrar mal na história e, consigo, carregar um governo que tem responsabilidades maiores do que o seu teatro.

 

Por Marco Aurélio

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