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Opinião Jogo Aberto – 11 de Março de 2019

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O novo, o velho e a criminalização da política.

Ninguém mais tem dúvidas sobre o caráter disruptivo das eleições de 2018. Foi uma forte ruptura com os padrões de organização do sistema político tradicional. Os grandes partidos – PSDB, PT, DEM, MDB – sofreram revés eleitoral. Surgiram novas forças. A renovação foi grande: 47,3% dos deputados eleitos e 85% dos vitoriosos nas vagas disputadas no Senado são nomes novos.

As eleições de Bolsonaro para a Presidência e de governadores como Zema, Witzel, Ibaneis, Comandante Moisés, Wilson Lima representam a vitória de “outsiders” sobre o establishment. O Congresso ficou mais plural e fragmentado com a presença de 30 partidos.

Tudo isso é resultante de um forte sentimento antipolítica potencializado pelo protagonismo inédito das redes sociais, a partir da corrupção endêmica, do impeachment e dos efeitos da crise econômica. O sinal já estava presente nas jornadas de rua de 2013. As lideranças tradicionais operaram com software obsoleto. “Abaixo a velha política”, “Contra os mesmos políticos de sempre”, “Não reeleja ninguém” foram os lemas vitoriosos. Uma pura definição, “O homem é um animal político”. A eleição de 2018 não representa o fim da política e da democracia. Foi um momento de explosão social e catarse coletiva.

Agora, os eleitos pelo discurso contra a política terão um novo desafio: fazer política e dar forma ao que seria a “nova política”. Na verdade, não há nova ou velha política, existe boa e má política, incorporados os avanços de cada época. Sempre lembrava Tancredo Neves em 1985. Maluf provocou: “O Brasil não deve eleger um presidente com mais de 70 anos”. Do alto de sua sabedoria, Tancredo respondeu: “Churchill, aos 75 anos, levou os aliados à vitória contra o nazismo e salvou a democracia.

Nero, aos 20, incendiou Roma”. Pano rápido. Mas a cultura antipolítica está disseminada por todos os lados.

A criminalização da política começa no sistema judiciário. Setores da Lava Jato, apesar dos méritos no combate à corrupção, querem criminalizar inclusive o caixa um e tudo que cheire a política.

Até o Congresso caminhou para a autocriminalização. Por último, a criminalização pelo próprio mercado. São exemplos absurdos de criminalização da política, sinais desses tempos nebulosos.

Fora da liberdade e da democracia não há salvação.

A exacerbação do espírito antipolítico nos levará a impasses e ameaças autoritárias. É uma escolha. Só depende de nós.

Por Marco Aurélio

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