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Opinião Jogo Aberto – 12 de Fevereiro de 2019

Onde está a punição?

O Brasil vem passando por grandes tragédias neste início de ano e, o pior, como disse a procuradora Raquel Dodge, todas evitáveis. Mas, apesar de ser uma constatação que não pode ser refutada e da maior gravidade, a procuradora e todos nós sabemos que são apenas palavras ao vento. Só relembrando, na tragédia de Mariana, há três anos, nada aconteceu à Vale, travestida de Samarco.

Agora novamente é a Vale envolvida na monstruosa tragédia de Brumadinho que tem que ser responsabilizada. Não a pessoa jurídica, a empresa que deve e precisa ser preservada, mas quem a comanda, com punições severas. Não é admissível que permaneçam na impunidade que impera neste país os que, de alguma forma, por ação ou omissão, contribuíram para a matança. A hora é de atitudes.

Não que queiramos a punição como vingança, embora este possa ser o sentimento das famílias atingidas. Punir para que os que agiram com negligência, irresponsabilidade ou ganância paguem pelos seus erros e sirvam de exemplo para que outros, confiantes na impunidade, não ajam da mesma forma.

Responsáveis têm nome e sobrenome, embora os dedos sejam apontados para uma marca apenas, a Vale. Quando falamos Vale, colocamos no mesmo balaio milhares de trabalhadores e seus dirigentes.

Os trabalhadores são os que não têm culpa. São as vítimas, assim como também é vítima, por incrível que pareça, a empresa, que se desmoraliza, perde credibilidade no mercado pela insanidade dos que são colocados em seu comando com a única missão de produzir lucro para atender ao mercado. Lucro é, sim, direito de quem investe. Mas é o lucro limpo, sem corrupção, sem sangue, sem dor. A dor que irmana as famílias dos que morreram em Mariana e Brumadinho aos que morreram no incêndio do Centro de Treinamento do Flamengo, no Rio.

Meninos que começavam a viver seus sonhos de serem ídolos, se tornarem milionários e com isso transformarem a vida de suas famílias, foram vítimas da mesma certeza que matou centenas sob a água e a lama: a certeza da impunidade. Certeza que diariamente vitima centenas ou quem sabe milhares de pessoas no trânsito, no tráfico, na violência familiar, na violência sexual contra adultos e crianças. No ódio. Na ineficiência do Estado, incapaz de exercer seu papel. Chega. Basta. É hora de agir.

Mas sem a demagogia fácil dos que querem apenas holofotes e poder.

É isso que todos queremos, mas, lamentavelmente, não é isso que todos buscamos com sinceridade. Vivemos a cultura do jeitinho, do levar vantagem em tudo. Nós nos julgamos espertos e com o direito de fazer exatamente o que vemos outros fazendo.

Somos incapazes de dar um passo para mudar nossa realidade. Depois, quando vítimas, nos queixamos dos abusos dos outros. Abusos que certamente cometeríamos se tivéssemos autoridade para tal. É duro o que digo? Certamente que sim, mas, lamentavelmente, é a verdade. Vamos mudar para mudar o país. Antes que sejamos as próximas vítimas da impunidade.

 

Por  Marco Aurélio

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