DestaqueOPINIÃO JOGO ABERTO

Opinião Jogo Aberto – Quarta Feira ( 09/01 )

O embate no governo entre a racionalidade e o obscurantismo Em política, omissões e silêncio podem dizer tanto ou mais do que palavras e ações. Analistas buscam antever o rumo do governo Bolsonaro interpretando os discursos de posse e as declarações do presidente e de seus principais ministros ao longo dos primeiros dias da nova administração.

No geral, vêm predominando a profissão de fé em valores e ideais, o rescaldo dos embates eleitorais, o impacto da elevada exposição à mídia de pessoas até então apagadas em suas rotinas comuns, expondo a pouca afinidade dos novos governantes com os problemas que afligem a maior parte da população.

As exceções foram os ministros Paulo Guedes e Sergio Moro, que indicaram respostas que pretendem dar aos problemas concretos afetos às suas pastas. Ressalta aos olhos atentos dos analistas a ênfase na dicotomia direita-esquerda, como uma luta do bem contra o mal, que está sendo travada no mundo ocidental, e o uso inadequado do conceito de ideologia, dando-lhe um sentido pejorativo, como sinônimo da prática política sectária da esquerda.

Quão ideológicos foram os discursos dos ministros da Educação e das Relações Exteriores? Muda-se de mãos a apropriação do Estado por visões ideológicas radicais e opostas? Apontamos, ainda, que a ideologia que se pretende hegemônica no novo governo se alicerça em valores reacionários, resistentes às mudanças que ocorreram ao longo da história mundial. Por exemplo, ao tratar do conhecimento, o ministro das Relações Exteriores foi explícito em seu discurso ao afirmar que “a verdade não pode ser ensinada por dedução analítica”. É a pura negação do racionalismo e do avanço científico e tecnológico.

É a reencarnação da ideologia da crença e do individualismo. Reacionarismo também está implícito na voz de vários ministros, ao não reconhecerem a separação entre Estado e Igreja. Será o retorno à idade pré-moderna? O obscurantismo pode ser encontrado, também, ao se verificar nos diagnósticos dos novos governantes a ausência de questões atuais do mundo contemporâneo e do Brasil, em particular.

A desigualdade e a exclusão social, chagas que mancham o desenvolvimento excludente do país, os 25 milhões de brasileiros sem emprego e os impactos da revolução digital nas relações econômicas, sociais e pessoais não aparecem em suas preocupações, que apenas enxergam os fantasmas do comunismo e do globalismo. O vergonhoso desempenho do ensino parece ser atribuído à “partidarização da escola”, um perigoso reducionismo da luta ideológica. Muito dessa dissintonia entre a nova administração e a realidade nua e crua do país será corrigido no passo que o tempo anda.

O envio de tropas federais para enfrentar a crise de segurança no Ceará, a posição do Brasil sobre o reconhecimento da legalidade da eleição na Venezuela na reunião do grupo de Lima e a articulação para a eleição da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados são exemplos de ações imediatas que trazem os governantes à sua realidade.

O tempo não para. Torcemos para que, o novo governo, carregando esperanças e expectativas, não se perca em discussões inúteis e encontre rapidamente os rumos para enfrentar as questões candentes que aguardam soluções. Felizmente, de onde menos se esperava, ecoou a voz do ministro Paulo Guedes apontando o Estado como fonte central de injustiça e iniquidade e propondo urgência nas reformas para aumentar a eficiência da economia e o emprego e estimular a inclusão social.

Notícias Relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
Close
WhatsApp chat Fale via: WhatsApp