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Novo presidente da Bienal está otimista com a gestão Bolsonaro

Novo presidente da Bienal está otimista com a gestão Bolsonaro

Que papel a Fundação Bienal pode cumprir além de realizar suas já reconhecidas exposições bianuais?José Olympio da Veiga Pereira, eleito nesta terça-feira (11) o próximo presidente da instituição responsável pela mais importante mostra de artes do país, tem ao menos uma resposta para essa questão.

Olympio assumirá o cargo no próximo dia 2 tendo em mente que a Bienal deve dedicar mais empenho à criação de ferramentas voltadas para a preservação da memória das artes, ampliando o papel do principal arquivo histórico da fundação, o Wanda Svevo, que foi criado nos anos 1950.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Olympio não deu mais detalhes sobre os dois anos de gestão que vê pela frente (com possibilidade de reeleição por mais dois anos). Presidente do Credit Suisse no Brasil e dono de uma das maiores coleções de arte do país, ele expressa otimismo com o primeiro ano do mandato de Jair Bolsonaro (PSL), especialmente em relação ao mercado financeiro.

O banqueiro, porém, demonstra mais cautela sobre o cenário cultural. “Acho que é cedo para falar algo, nós precisamos saber quem será o secretário de Cultura”, diz, ao ser questionado sobre a extinção do Ministério da Cultura e a criação de uma secretaria voltada ao setor dentro da pasta da Cidadania.

“A cultura pode ser valorizada independentemente de estar debaixo de um ministério ou de uma secretaria. Por muito tempo a cultura esteve subordinada à pasta da Educação”, diz. Olympio não comenta os ataques de Bolsonaro e correligionários à Lei Rouanet, utilizada não apenas pela Fundação Bienal desde a criação da legislação nos anos 1990, mas também por eventos diversos realizados no prédio da Bienal, no parque Ibirapuera, como a feira SP Arte.

Ele se restringe a dizer que considera a lei “fundamental para o financiamento da produção cultural no Brasil” e que não está bem informado sobre as intenções do novo governo a ponto de comentá-las.

Bolsonaro vem expressando descontentamento especialmente sobre as dificuldades que pequenos produtores de arte e que artistas pouco famosos têm de fazer uso da lei. Para o presidente eleito, a Rouanet privilegia um mercado que poderia andar com as próprias pernas, inclusive com a possibilidade de produzir receita.

A eleição de Olympio pelo conselho da Bienal também foi acompanhada de uma questão específica sobre o perfil do novo presidente. Existiria conflito de interesse em dar o cargo a um dos principais colecionadores do país? As escolhas de curadores poderiam, por exemplo, estar em sintonia com o perfil da coleção de Olympio, determinando sua valorização?

O próprio banqueiro admite que o conflito existe. Afirma que a questão o acompanha por mais de 20 anos, desde que passou a ser responsável pelas aquisições do Museu de Arte Moderna de São Paulo (entre 1999 e 2002). “A administração desse conflito é algo que já venho fazendo há 20 anos. Além disso, na Bienal, temos um código de conduta muito bem elaborado, que regula essas situações e que julga situações de potencial conflito de interesse. A junção da minha experiência com esse código de conduta me deixa muito confortável”, diz.

Olympio assumirá a função em um contexto atípico. Desde o ano passado, exposições de arte e peças de teatro têm sofrido diversos ataques do público conservador, de grupos religiosos e até da Justiça. Os alvos principais são obras com nudez ou que tratam de temas relacionados à sexualidade e às questões de gênero.

Para o novo presidente da Bienal, essa questão tem de ser contornada com o respeito ao código nacional de classificação indicativa.

Ele defende que as exposições de arte tomem o cuidado de informar o público sobre expressões que possam ser consideradas inadequadas para crianças e adolescentes por exemplo. “Assim, o visitante pode decidir a que manifestação artística ele vai ser exposto ou não”, afirma.

Segundo Olympio, está no programa da Bienal anunciar, ainda antes de sua posse -provavelmente na próxima semana-, quais serão os artistas representados na Bienal de Veneza em 2019.

Ele diz que esses artistas já estão escolhidos e que o anúncio depende de acordos com os Ministérios da Cultura e das Relações Exteriores. Com informações da Folhapress.

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