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Japão aprova lei que abre espaço para imigrantes com baixa qualificação

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O Japão aprovou no sábado (8) uma lei que abrirá o país à entrada de trabalhadores estrangeiros com baixa qualificação. A expectativa é que ao menos 345 mil imigrantes sejam aceitos nos próximos cinco anos.

No entanto, a lei não diz exatamente quais setores poderão receber empregados estrangeiros, o que despertou críticas da oposição.

A expectativa é que a mudança abra espaço para a vinda de trabalhadores para atuar em fábricas, construção, cuidados pessoais, preparo de alimentos e outras áreas que não exigem formação de nível superior.

A nova regra passa a valer em abril de 2019 e cria duas novas categorias de vistos de trabalho. A primeira delas é voltada a funcionários de baixa qualificação e permitirá a eles viverem por até cinco anos no Japão, mas sem a possibilidade de trazer familiares.

A segunda é voltada para pessoas com maior escolaridade, que poderão vir com seus parentes e terão o caminho facilitado para prorrogar sua permanência enquanto tiverem um emprego.

A nova lei foi defendida pelo primeiro-ministro, Shinzo Abe, mas sofreu críticas da oposição, que disse temer um aumento na criminalidade e um choque cultural no país.

Trabalhador da Indonésia em fábrica em Oizumi, no Japão

Críticos da medida defendem que o governo deveria cuidar melhor da integração dos estrangeiros ao país, de modo que eles consumam produtos locais e paguem impostos, e que também recebam apoio para assimilar os hábitos culturais e a língua local.

Abe defendeu que as novas regras não representam uma nova política de imigração, e que são apenas uma forma de preencher postos de trabalho em funções onde faltam interessantes e, assim, melhorar os números da economia.

O Japão é bastante restritivo à entrada de imigrantes. Pelas regras atuais, são aceitos apenas estrangeiros com alta escolaridade, como professores e doutores, ou descendentes de japoneses, que precisam atender a uma série de exigências.

O país tem cerca de 1.28 milhão de trabalhadores estrangeiros. O número é o dobro da década passada, mas representa apenas 2% da força de trabalho do país. Destes, aproximadamente 260 mil são trainees vindos de países como China e Vietnã.

Um dos temores despertados pela nova lei é que o novo sistema repita os erros do programa de trainees estrangeiros adotado no país desde os anos 1990. Por ele, estudantes podem trabalhar em funções industriais por até cinco anos, mas há diversos relatos de abuso por parte das empresas, como jornadas extenuantes e salários menores do que a lei determina.

Segundo dados do Ministério da Justiça japonês, obtidos pelo jornal Japan Times, 69 trainees estrangeiros morreram entre 2015 e 2017. Seis deles cometeram suicídio e 11 foram vítimas de acidentes graves, como serem atingidos por uma empilhadeira.

A falta de trabalhadores é mais sentida nas pequenas cidades do interior. Em Akitakata, no sul, a população diminuiu de 30.893 pessoas em 2014 para 28.910 em novembro de 2018. Cerca de 40% dos moradores possuem mais de 65 anos. No Brasil, esse indicador está em 13%.

Fábricas de autopeças sofrem com a falta de trabalhadores. Na cidade, muitas casas estão vazias e as ruas e supermercados ficam desertos no início da noite.

“Akitaka é um lugar devagar. Não é atraente para pessoas jovens, mas é um ótimo lugar para criar os filhos”, diz Luan Taniuti, brasileiro descendente de japoneses que imigrou com nove anos e hoje vive com duas crianças na cidade.

Fonte:Folha de São Paulo

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