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Visão de Fato

Opinião Jogo Aberto – 19 de Outubro de 2018

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Delinquência: sem lenço e sem documento?

O autoritarismo do candidato da direita à Presidência é diretamente proporcional à prepotência de uma esquerda que já mostrou a que veio. Se o primeiro se apresenta como guardião dos bons costumes, a segunda jura democracia, apesar de seu passado recente. O “mito”, como o chamam seus seguidores, é o próprio candidato. O das esquerdas é terceirizado e faz parte de um passado que a maioria deseja ver expurgado.

Sinais do que vem pela frente não deixam de ser preocupantes. Basta ver quem os candidatos escolheram para seus vices. De um lado, um general falastrão; de outro, uma esquerdista de butique não menos assustadora. Mas, façamos uma ressalva. Por mais imprudente e truculento que pareça, o general falou uma verdade que a esquerda convenientemente ignora: a de que filhos criados apenas pelas mães ou avós tendem à delinquência. Foi o suficiente para que a opinião pública se estarrecesse e Mourão fosse recomendado a não emitir suas opiniões durante a campanha. Faltou ao general habilidade para fazer as ressalvas apontadas por pesquisas como as realizadas pela chamada “teoria da urban underclass”, que desde os anos 50 vem estudando o assunto nos Estados Unidos.

Não há como estender, sobre esses estudos, mas eles corroboram parcialmente o que disse o general. Sobre esse assunto não cabem generalizações. Os dados disponíveis levam a crer que, no Brasil, a delinquência juvenil ocorre com mais frequência entre as famílias chefiadas por mulheres com rendas inferiores a dois salários mínimos, ou seja, entre famílias muito pobres, em que a luta pela sobrevivência não deixa espaço para a convivência familiar e os cuidados com a educação e a disciplina dos filhos.

Por mais que se esforcem, essas mulheres encontram imensas barreiras para proporcionar-lhes a proteção, os objetos de consumo e os prazeres que as gangues lhes oferecem. Desconheço dados a respeito, mas é bem provável que a maior parte da população carcerária, além de oriunda de famílias muito pobres, seja composta por jovens que, ou não conhecem o pai, ou foram submetidos a abusos domésticos. Basta ver as filas de visitação a prisioneiros para concluir que elas são formadas principalmente por mulheres. Dados recentes indicam que, entre 2017 e 2018, cerca de 120 mil crianças foram registradas como filhos de pais desconhecidos. E esta é uma tendência que parece estar se ampliando. Dados de pesquisa por mim realizada nos anos 90 indicavam que 34,3% das famílias residentes nas regiões metropolitanas eram chefiadas por mulheres, enquanto entre essas mesmas famílias com rendas inferiores a dois salários mínimos esse percentual se elevava a 48,5%.

A modernidade, em países altamente desenvolvidos, soluciona esse tipo de problema não pela pregação da castidade ou da interferência na vida privada, mas pela elevação da renda e dos níveis educacionais, o que, em última instância, proporciona racionalidade e previsibilidade ao comportamento individual dos jovens de ambos os sexos.

 

Por Marco Aurelio

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