OPINIÃO JOGO ABERTO

Opinião Jogo Aberto – 04 de Setembro de 2018

Como Lula fica?

Agora são duas as dúvidas dos petistas. A primeira: como ficará o partido sem Lula na disputa. A segunda, como Lula enfrentará o ostracismo que se avizinha, apeado dos palanques políticos. A questão inicial terá resposta rápida. Logo, logo, se saberá se Lula, na cadeia, com distanciamento progressivo da grande mídia, terá capacidade de transferir votos para alguém. A outra é como ele ficará sem os espaços que ocupava até então.

Por mais que Lula e seus companheiros, ou dependentes políticos, digam que não, foi grande a decepção de todos com a reação popular a sua prisão e, agora, a seu quase banimento da vida política. Esperava-se uma forte reação, uma quase comoção nacional com sua prisão. Nada disso ocorreu. Como não aconteceu quando Getúlio foi tirado do poder: uma vez com o fim da ditadura que comandava, outra pelo tiro que deu no peito por não suportar as pressões dos adversários. Getúlio foi nosso primeiro pai dos pobres. Como não aconteceu quando Jânio renunciou esperando que o povo fosse reconduzi-lo ao cargo para, então, iniciar nova ditadura. Como finalmente não aconteceu quando Juscelino teve mandato cassado pelos militares, quando ninguém acreditava que teriam coragem de fazer isso com o grande líder nacional.

Lula já sente o isolamento. A militância paga do “Bom dia, presidente” quase não existe mais. A greve de fome dos indicados pelo MST acabou. Agora a tendência é que os lulodependentes eleitorais também iniciem o afastamento, pois o ex-presidente terá menor poder de influenciar pessoas. Por fim, com o aumento do calor da disputa, Lula deixará de ocupar tanto espaço no noticiário. Ocupação que, para muitos, explica o fato de ele continuar liderando pesquisas.

Fora da mídia tradicional, ele manterá essa posição? Isolado, conseguirá manter a fidelidade de seus antigos companheiros, muitos deles precisando salvar a própria pele? Lula sobreviverá politicamente a tudo isso? E o PT, sobreviverá sem Lula? Só depois das eleições se saberá.

Bem, Lula e a questão da disputa nacional. Lula e seu futuro pessoal. São questões preocupantes para o PT nacional, e os reflexos disso nas eleições estaduais são mistério que assombra os candidatos do partido, ou os que se aproveitam descaradamente do prestígio pessoal dele. Não são poucos os candidatos que, distante do petismo, se agarram ao lulismo como tema de suas campanhas. Sem poder passar diretamente seu recado de apoio, qual será a influência do ex-presidente nas disputas estaduais? Dele se ouvirá apenas o silêncio, a não ser que o Supremo Tribunal Federal decida ressuscitá-lo politicamente.

Outra dúvida: seu substituto, mesmo beneficiado por transferência de votos, será capaz de influenciar as disputas regionais? Há quem acredite que sim, pois o substituto escolhido será o Lula, assim como Dilma foi o Lula. A questão é saber se de dentro da cela, sem poder subir no palanque, gravar declarações, o ex-presidente terá capacidade de “fazer a cabeça” do eleitor. Por melhor que ele seja na arte de influenciar pessoas, como argumentam alguns de nossos cientistas políticos? As urnas dirão.

Por Marco Aurélio

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