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OPINIÃO JOGO ABERTO: 12/12/2017

Lula não é candidatíssimo.

Qual é o objetivo de Lula com estas caravanas que está realizando pelo país? Já são três: pelo Norte e Nordeste, por algumas regiões de Minas e a última por cidades do Rio de Janeiro. Em nenhuma delas fez o que prometeu: ouvir o povo para sentir suas carências e expectativas. Ao contrário, em algumas cidades, onde havia pouca gente, até evitou o contato com a população e, onde subiu ao palanque, mais falou do que ouviu. E do que tem falado? De sua própria situação, jurando inocência e acusando os que, segundo ele, estão num complô para prejudicá-lo.

Não se pode dizer, apesar de sempre incluir em suas falas a possibilidade de disputar as eleições e voltar ao poder, que Lula esteja em campanha. O tom cada vez mais agressivo contra os que nomeou seus inimigos, mais claramente contra Sergio Moro, expõe um Lula amedrontado, na quase certeza de que será condenado e que, por isso, procura se mostrar a seus seguidores como um perseguido político. Seus discursos são cada vez menos peças de campanha e cada vez mais peças de defesa. Lula está convencido de que não escapará de uma condenação e que, por isso, dificilmente disputará uma nova eleição em 2018.

Busca uma saída para salvar sua biografia, sem a dramaticidade do gesto de Getúlio, mas que o coloque como uma vítima que tombou por defender os pobres. Se não é isso o que pensa Lula, é bom que comece a mudar sua estratégia. Seu campo de apoio, apesar de as pesquisas indicarem o contrário, vai ficando reduzido. Ele precisa agir para recuperar a classe média, que, se ainda não o abandonou, anda muito desconfiada de sua viabilidade política.

Aparentemente, firmes com ele permanecem os eleitores mais pobres, dependentes dos programas sociais que implantou, e a turma da esquerda caviar. O primeiro grupo pode ser conquistado por outro candidato, especialmente se houver uma sólida reversão na situação econômica. Já a turma do caviar, os intelectuais que insistem em não evoluir, devem ir com ele até o final. Mas são muito poucos, sem poder de influenciar pessoas, por isso pouco significativos numa disputa eleitoral.

O curioso é que, mesmo com sinais de fragilidade política – os rompantes e as bravatas são sinais claros disso, vide Ciro Gomes –, Lula ainda assusta seus adversários políticos, que, por enquanto, faz questão de desconhecer. Atacar Moro e os infantes do Ministério Público, neste momento, é mais importante do que responder às críticas de Alckmin ou debater com Bolsonaro. Aliás, essa discussão não deveria interessar nem mesmo aos outros pretensos candidatos simplesmente porque ela não leva a nada. Ou alguém acredita que num ambiente político tão conturbado, de tantas incertezas econômicas, esse debate representa alguma coisa para o eleitor? Esse é um assunto que interessa apenas aos políticos e, por dever de ofício, aos jornalistas. O eleitor não só não está preocupado com ele, como está enojado da discussão política em torno de candidaturas, com tantos problemas mais urgentes a serem resolvidos. Um deles? A reforma da Previdência.

Fonte: Por Marco Aurelio

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