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Visão de Fato

OPINIAO JOGO ABERTO: 27/07/2017

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O cacoete verbal dos recém-desempoderados.

As atitudes politicamente corretas e a emergência de uma infinidade de movimentos emancipatórios são parte da evolução dos direitos da cidadania civil nas sociedades ocidentais avançadas. Trata-se da incorporação de minorias até então negligenciadas por sociedades que atingiram elevados patamares de igualdade e liberdade sem se livrar por completo de velhas crenças e preconceitos que cerceiam o pleno exercício da cidadania por todos os segmentos sociais.

Creio ser possível dizer que tais movimentos (ou, pelo menos, aqueles envolvendo grandes massas) tiveram início com a luta antissegregacionista dos negros (ou afrodescendentes?) norte-americanos, que, até o início dos anos 60, eram obrigados a ocupar os últimos acentos nos ônibus e usar banheiros públicos separados e não podiam estudar nas mesmas escolas que os brancos.

O movimento feminista, por sua vez, ganha força com o ingresso maciço das mulheres no mercado (sempre as leis do mercado) de trabalho. Mais independentes financeiramente, embora menos bem-remuneradas que os homens, as mulheres passam a lutar contra as desigualdades salariais, a carga de trabalhos domésticos, a violência e a dominação masculinas.

Passada a fase folclórica do descarte de sutiãs, a luta continua em sintonia com o movimento pelos direitos dos homossexuais, das pessoas de cor e de minorias que, no linguajar politicamente correto, são chamadas “pessoas com deficiência visual”, “pessoas com deficiências físicas”, “pessoas com deficiência auditiva” ou, insolitamente, “pessoas com necessidades específicas”. É o fim de expressões como cego, surdo, mudo ou aleijado.

Com efeito, se o século XX foi o século da expansão dos direitos dos cidadãos, o século XXI, na esteira do movimento ecológico, afigura-se, tardiamente, como o século dos direitos dos animais. Trata-se do processo civilizador que, em última instância, pressupõe o refinamento dos hábitos e o predomínio da racionalidade sobre o instinto que, há milênios, devasta e massacra impiedosamente a flora e a fauna do planeta.

Seja por conservadorismo ou negligência, os grandes partidos políticos brasileiros entregaram de bandeja à esquerda, notadamente ao PT, as bandeiras dos novos movimentos sociais. Politizando-os e ampliando significativamente seu eleitorado, a esquerda garantiu seu acesso ao poder no plano nacional. Aparentemente, o velho autoritarismo da esquerda havia cedido espaço aos anseios legítimos de segmentos sociais tradicionalmente discriminados.

No entanto, uma vez no poder, a esquerda tratou de aparelhar o Estado e estabelecer acordos espúrios com partidos e coronéis “empoderados” de longa data, em nome do “empoderamento” das classes subalternas e das minorias. Como isto so pode acontecer em governos populistas, em que nada é para valer, tal “empoderamento” foi apenas simbólico, embora estridente o suficiente para gerar a discórdia entre a esquerda e o resto da nação.

Fonte: Por  Marco Aurelio

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