por Marco Aurélio

OPINIÃO JOGO ABERTO : 29/05/2017

Aventura política .

A crise política que se instalou com a delação da JBS gera reflexos em diversas esferas em Brasília. Enquanto o Planalto se recompõe, as projeções continuam.

Temer segue pressionado pelo inimaginável: uma investigação instaurada por um ministro da Suprema Corte acusado de ter sua indicação bancada pelos delatores e baseada em um áudio que não passou por perícia da Polícia Federal (PF).

Diante das acusações, o clima político esquentou e enquanto alguns já apontam o fim do governo, inicia-se a especulação de nomes para uma eventual sucessão presidencial. Fala-se na possibilidade de eleições diretas ou antecipação do pleito do próximo ano, enquanto também discute-se sobre possíveis nomes diante da saída constitucional de uma eleição indireta.

A escolha de um novo nome para completar o mandato do presidente Temer somente ocorrerá em caso de renúncia, impeachment ou condenação da chapa pela Justiça Eleitoral. O impeachment é uma opção descartada. Seria um processo de, no mínimo seis meses, que somados ao processo de escolha do substituto praticamente entra no período eleitoral.

Opção, portanto, inviável. A renúncia já foi descartada também. Resta, aos que desejam o afastamento do presidente, a condenação da chapa, algo possível, porém improvável e possivelmente demorado.

Entretanto, em caso de eventual afastamento definitivo do presidente, isto levaria o Brasil para um processo eleitoral indireto, como manda a Constituição. Vale lembrar que o pleito não possui forma definida, pois o dispositivo ainda não foi regulamento por lei. Ninguém na República hoje possui a menor ideia de como se daria essa escolha indireta, tampouco as regras para o estabelecimento de candidaturas.

No campo político, enquanto uma lista de “presidenciáveis” busca viabilizar-se, poucos se atentaram que mexer no equilíbrio de poder neste momento, gera impacto direto no pleito presidencial do próximo ano. Enquanto especulam-se nomes como Rodrigo Maia, Tasso Jereissati, Fernando Henrique ou mesmo Henrique Meirelles, poucos perceberam que o processo realmente é interessante para um candidato, Lula.

Para ele, o pleito indireto é uma estratégia perfeita. Perderia a eleição, mas ganharia palanque. Lança sua candidatura para 2018. Ganha o discurso de rejeitado pela classe política e o conveniente carimbo de outsider. De quebra assume pessoalmente a liderança da oposição e se fortalece.

Eleição indireta, no cenário atual, é uma aventura política que irá gerar reflexos negativos na economia e uma enorme incerteza sobre os rumos que o Brasil pode tomar nas próximas eleições. A manutenção do governo, que tem mais um ano pela frente antes do processo eleitoral ser desencadeado, é a solução mais responsável neste momento. Até aqui, passando o momento agudo da crise, é hora de buscar estabilidade e previsibilidade.

Somente assim conseguiremos asfaltar um caminho institucionalmente seguro para um pleito que deve renovar profundamente a política brasileira no próximo ano. O momento exige mais prudência e menos aventura.

Fonte : Por  Marco  Aurelio

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