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por Marco Aurélio

OPINIÃO JOGO ABERTO: 31/01/2017

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Finalmente chegou a Bangu o empresário Eike Batista, o ex-homem mais rico do Brasil, aquele que mesclou glamour com eficiência nos negócios, que vislumbrara transformar-se no homem mais rico do mundo, depois de criar centenas de empresas X para, por meio delas, buscar e obter generosos favores do Estado. Tais favores, segundo investigações reveladas pela imprensa e vazadas de numerosos inquéritos da Polícia Federal, incluíram liberações de fartos recursos pelo BNDES durante os últimos governos, de licenciamentos ambientais em vários Estados onde atuaram suas mineradoras, seus minerodutos, seus portos e embarcações, quase tudo sem os lastros e o rigor necessários, usualmente exigidos quando os pretendentes eram outros mortais. Eike, o que tudo podia e tudo realizava, está agora recolhido, e a expectativa é a de que em Bangu permaneça no convívio com diletos amigos, mas também com os comuns, agora elevados à condição de seus parceiros.

A Justiça do Brasil de hoje está buscando se apresentar com outra face, tem braços de maior alcance e não tem se intimidado pelo poder econômico ou político de seus alvos. A sociedade tem batido palmas para saldar essas ações do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal, ultimamente apresentadas sob as luzes dos melhores holofotes.

Óbvio que há muito de exploração midiática desses degradantes episódios; as redes de TV e as mídias sociais sempre buscam o show, o melhor ângulo para revelar as imagens de fracasso do preso e o sucesso de quem determinou sua detenção, mas algumas coisas beiram o deboche. Ninguém em sã consciência se alegra com esse desfecho, o da prisão de um homem que foi ícone como Eike Batista; melhor se ela não tivesse, claro. Muito melhor ainda teria sido se Eike não se tivesse metido na farta e danosa distribuição de propinas pagas religiosamente para ter êxito em suas demandas. Sendo provado o que vazou, Eike exagerou no fazer errado.

Já julgado e devidamente condenado pela opinião pública, ainda que ninguém levantasse nesse momento os danos de suas travessuras empresariais, sua quebra, seu cano no BNDES, em tributos, em seus empregados demitidos e muitos ainda desempregados, Eike vai agora amargar o peso de sua arrogância.

Abstraídos do que parece ser um novo e histórico momento para o país, curiosamente, nas mesas de bar, nos salões de beleza, nas salas de espera, nos elevadores, uma pergunta não quer calar: Eike usava ou não peruca?

por Marco Aurélio

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