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por Marco Aurélio

OPINIÃO JOGO ABERTO: 17/01/2017

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Andam pelas redes sociais vídeos produzidos dentro de delegacias ou em ações normais de polícias, com variados depoimentos de delinquentes sobre suas ações criminosas e a completa falta de arrependimento pela prática de seus crimes. Parece que as rebeliões de Manaus e Boa Vista despertaram tais manifestações.
Num caso especial desses reavivados, um bandido revela que matara (mais) três pessoas dentro de uma fazenda porque sabia que o dono da propriedade guardava R$ 10 mil, obtidos da venda de gado. Suas vítimas teriam sido barbaramente assassinadas a golpes de machado, sua arma preferida, que portava livremente, por eventualmente confundi-lo com um trabalhador rural. Livre e solto, a maneira como esse tipo fala traduz seu completo desrespeito pela vida humana, seu desprezo por qualquer norma de convivência e relacionamento social e sua opção pelo crime como única forma de sobrevivência. Um completo animal, selvagem e irrecuperável.
Mas ainda não é esse conjunto de horrores que mais choca e se evidencia em suas declarações, feitas com todos os requintes de crueldade, cinismo e de arrogância: é a crítica debochada que ele faz ao Estado das nossas penitenciárias, à fragilidade do sistema, à possibilidade que criminosos como ele sempre encontram para novamente ganhar as ruas, seja por meio da corrupção para facilitação de fugas, seja pela remunerada entrada de armas e celulares nas celas, ou pior, pela desorganizada estrutura de nosso sistema penal, que em várias unidades do país virou um bom negócio para as que os chefiam.
Primeiro é preciso não nos cansarmos de denunciar, sempre, que essa situação é o resultado da ausência do Estado brasileiro dos espaços que lhe são próprios e indelegáveis para neles se exercer; onde o Estado não está, estarão a droga levada pelo crime organizado, o roubo, a violência, deformações geradas pela vastidão da nossa miséria social.
Depois, porque segurança pública não pode ser moeda de troca para ajustes político-partidários e, assim, ser entregue a quem não tem a necessária formação para discutir e implementar medidas aplicáveis a esse complicado setor; exemplo é o atual ministro da Justiça.
Temos que construir presídios seguros, obviamente, mas, enquanto essa for a única medida, podemos nos preparar para um Estado permanente de guerra e carnificina, do domínio de facções que já não escondem mais o poder social que têm e de como se alarga tal poder. Se demorarmos, esse será mais um caminho sem volta de nossas falências.
por Marco Aurélio
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