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O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e parceiros deram início, nesta semana, a um projeto piloto que prevê a redução de aproximadamente 10% dos 5 mil búfalos invasores que causam destruição dentro das reservas ambientais em Rondônia.

“Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>➡️Como não são nativos do Brasil, os búfalos não possuem predadores naturais.Soltos e se reproduzindo sem controle, provocam graves impactos, como a extinção de espécies da fauna e da flora nativas e a alteração no curso dos campos naturalmente alagados, que fazem parte da biodiversidade local.
“Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>De acordo com o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido, o abate dos búfalos é, no momento, a única alternativa viável para resolver a questão. Como a região é isolada e de difícil acesso, não existe logística possível para retirar os animais vivos ou mortos. Além disso, como se desenvolve sem controle sanitário, a carne não pode ser aproveitada.
“Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>Essa primeira fase do projeto piloto tem duração de cinco dias, entre 16 e 20 de março, envolvendo ofertas de pessoas. Segundo o plano de ação, o objetivo é testar o método de redução para que seja mais eficiente, mais seguro para as equipes e causar o menor sofrimento possível aos animais.
“Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>O abate é feito por atiradores especializados armados com rifles. No primeiro dia, quase 30 animais foram abatidos. De acordo com os coordenadores do ICMBio, a produtividade foi considerada positiva neste início da operação e chegou a superar a expectativa.
“Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>Por outro lado, a dificuldade também é maior do que o previsto, principalmente por causa da dificuldade de deslocamento na região.

Búfalos selvagens em Rondônia — Foto: Arte g1

Objetivos

“Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>A expectativa é que aproximadamente 500 animais sejam mortos no primeiro momento. A partir disso, os pesquisadores e demais pessoas envolvidas pretendem descobrir, entre outros pontos:
“Matéria – Leia Também (Lista)”>

  • Avaliar a capacidade diária de redução de animais;
  • observar o comportamento dos búfalos e as condições ambientais que interferem na operação;
  • mapear desafios logísticos e operacionais para melhoria do planejamento, incluindo equipes, rotas, equipamentos e estratégias de abordagem.
  • “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>Todas essas características serão usadas para embasar uma estratégia aprimorada para erradicar totalmente os animais da região.
    “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>Além disso, uma equipe da Universidade Federal de Rondônia (Unir) está em campo para coletar a maior quantidade possível de material biológico (órgãos, tecidos, amostras sanguíneas ou outras estruturas) de animais abatidos para subsidiar estudos.
    “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>”O objetivo da equipe de pesquisa é justamente o máximo de material biológico para sabermos se esses animais possuem alguma doença infectocontagiosa ou doenças de notificação obrigatória. Sem isso não tem como saber se a carne, por exemplo, pode ser consumida”, explica o professor do curso de medicina veterinária da Unir, Alex Cicinato.
    “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>Ao longo do ano, 30 câmeras de monitoramento serão instaladas pelo ICMBio perto das carcaças dos búfalos abatidos.
    “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>Desde o início de 2025, o ICMBio coleta amostras de água na área ocupada. O objetivo é analisar a qualidade, antes e depois do abate. Também existem outras perguntas que eles querem responder com a pesquisa:
    “Matéria – Leia Também (Lista)”>

  • As carcaças não podem ser retiradas. Há animais que você consome? Eles provocarão a morte de espécies nativas? Isso vai beneficiar ou vai prejudicar?
  • Invasores e sem controle

    “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>Os búfalos são nativos da Ásia e chegaram a Rondônia em 1953 como parte de um projeto do governo estadual voltado para o comércio de carne e leite. A ideia fracassou e os animais foram abandonados se reproduzindo livremente dentro de unidades de conservação.
    “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>📍Atualmente, os animais vivem entre a Reserva Biológica (Rebio) Guaporé, a Reserva Extrativista (Resex) Pedras Negras e a Reserva de Fauna (Refau) Pau D’Óleo, no oeste de Rondônia, uma região de encontro entre três biomas: a Floresta Amazônica, o Pantanal e o Cerrado.

    “É um ambiente único, com várias espécies endêmicas [nativas] e a presença do búfalo vai levar à extinção de várias delas. Algumas espécies que as pessoas só têm registros aqui, são residentes ou migratórias”, explica o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido.

    Atualmente vivem mais de 4 mil búfalos selvagens na região do Vale do Guaporé — Foto: Acervo NGI Cautário-Guaporé

    “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>Entre os animais mais afetados pela presença do invasor está no cervo-do-pantanal, considerados vulneráveis ​​à extinção.

    “Eu passei 10 dias andando aqui embaixo, levantando o drone, filmando. A gente não tem um único registro de cervo junto com o búfalo. Eles [os búfalos] Empurrando e confinando os cervos em determinados pontos”, explica Wilhan Cândido.

    “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>Mas como isso ocorre?Os búfalos são animais grandes e pesados:podem medir quase dois metros de altura e pesar mais de meia tonelada.Com esse porte, eles pisoteiam e destroem uma vegetação que serve de alimento para os cervos-do-pantanal.

    Cervo-do-pantanal — Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica

    “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>Além disso, os gigantes têm um comportamento peculiar: andam sempre em filas indianas. Os trajetos que eles fazem acabam se tornando canais que desviam para a água do seu curso natural.
    “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>🔎Um dos principais objetivos da criação da Rebio Guaporé é a proteção dos campos naturalmente alagados, que fazem parte da biodiversidade local. As lagoas se formam em áreas mais baixas a partir da água da chuva ou dos rios que atravessam a reserva. No entanto, as trilhas abertas pelos búfalos acabam formando canais que desviam a água para outras regiões.
    “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>Outro problema é a compactação do solo. Em alguns trechos, principalmente próximos a lagos, já é possível observar áreas que “afundaram” perto de um metrô.As árvores com raízes expostas e mortas, restando apenas vegetação rasteira ou, em certos pontos, o solo completamente deserto.

    Analista do ICMBio mostra onde deveria estar o solo compactado por búfalos em Rondônia — Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica

    “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>Em visita exclusiva ao local, a equipe da Rede Amazônica registrou um verdadeiro “cemitério” de buritizais: árvores que morreram em razão da presença dos búfalos.
    “Link no Texto” data-track-links data-mrf-recirculação=”Matéria – Links no Texto”>🌳 Os buritis, adaptados às áreas úmidas, perderam a capacidade de reter água devido à presença dos búfalos, que compactam o solo, abrem canais de drenagem e destroem as mudas, acelerando a seca e impedindo a regeneração da vegetação; como resultado desse processo de manipulação, em 2024 ocorreu pela primeira vez um incêndio intenso o suficiente para queimaduras até o solo.

    “A gente estimava de 70 a 100 anos para recuperar uma área. Mas se a gente não tirasse o principal fator de impacto, que é o búfalo, eu acho que essa área não volta a ser aquele buritizal”, comenta Wilhan.

    “Cemitério” de buritis em Rondônia — Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica

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