“O que eu vou fazer quando me aposentar?”. Esta é a pergunta que muitos jogadores se fazem quando a hora de pendurar as chuteiras se aproxima. Alguns migram para o Jornalismo e viram comentaristas. Outros seguem a carreira de treinador. Muitos passam a usufruir do dinheiro que economizaram durante a carreira e tantos outros passam por dificuldades por terem gastado tudo.
Campeão da Copa do Brasil pelo Cruzeiro e com passagens por São Paulo e Fluminense, o ex-volante Hudson Santos optou por outro caminho: voltar à sala de aula.
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Ex-jogador, Hudson Santos dá primeris passos na carreira como gestor de futebol — Foto: Franklin Mainone
Desde que se aposentou no Tricolor Carioca em 2022, o ex-atleta começou a se capacitar, fez vários cursos, investiu, se tornou dono de uma escolinha do PSG em Minas Gerias e dá os primeiros passos na carreira como gestor.
Após um trabalho que quase conduziu o Criciúma à elite do Brasileirão, o profissional acabou de assinar contrato com o Sport para ser gerente de futebol para tentar reestruturar o projeto do time pernambucano e leva-lo de volta á Série A depois do rebaixamento em 2025.
Em meio a apostilas, viagens, planilhas e contatos, o ex-jogador de 37 anos admite sentir falta de estar em campo, mas afirma que estar fora dele também é prazeroso.
A recente contratação anunciada pelo Sport como gerente de futebol e o bom trabalho pelo Criciúma na Série B em 2025 não foram sorte de principiante. Desde que decidiu parar de jogar futebol, ele começou a se capacitar para quando a oportunidade aparecesse.
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Hudson Santos em curso de capacitação da C BF — Foto: Reprodução/Instagram
Hudson se formou em Gestão de Futebol, pela CBF e pela Conmebol, Análise de Desempenho, Gestão de Centro de Treinamento, Governança e Conformidade e Inteligência Artificial. Hudson também tem a Licença B CBF para treinador e está se formando no curso Executivo Máster, também pela Confederação Brasileira de Futebol.
O processo de mais de três anos de sala de aula e aprendizado foi longo e complicado, mas o ex-jogador considera que este foi o caminho mais adequado para ele se tornar capaz de exercer as funções diretivas.
— Com certeza. Eu sou muito grato por isso. Ao mesmo tempo que tive tempo para me preparar com formação acadêmica e profissional, eu vivi uma experiência diária de liderança e gestão dentro da PSG Academy em Juiz de Fora que me trouxe uma experiência que pode ser usada em clube profissional, mesmo seno escola — disse.
“Eu procurei estudar bastante neste período, me capacitar na parte de entender o externo do campo. O atleta é muito deficitário quanto a essas informações. Fui buscar este complemento”.
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Hudson teve passagens por Cruzeiro, São Paulo e Fluminense — Foto: Washington Alves/Light Press
— A cada ano que passar, a cada projeto que eu assumir, vou me tornar um cara mais capacitado. Mas este processo aconteceu de forma saudável e correta, sem pressa. E hoje me sinto muito pronto, apesar da necessidade de seguir aprendendo.
Hudson sabia que os cursos que fez nacional e internacionalmente eram indispensáveis para que ele conseguisse iniciar uma carreira de gestão no futebol e que só o nome dele não bastaria para abrir portas. Porém, conciliar o conhecimento acadêmico e a prática também era fundamental.
Paralelamente aos estudos, ele decidiu empreender e aliar o útil ao agradável. O ex-jogador investiu em um franquia da PSG Academy, uma escolinha global do clube francês em Juiz de Fora, cidade natal de Hudson, em Minas Gerais.
Com dois espaços para atividades e treinos e um terceiro em construção, o projeto conta com mais de 400 alunos e 20 professores e oportuniza atletas entre 5 a 17 anos a disputarem campeonatos nacionais e internacionais com outros núcleos do PSG Academy.
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Hudson Santos é dono da PSG Academy em Juiz de Fora — Foto: Cris Mattos/@crismattos33
De acordo com ele, comandar uma franquia do PSG, seguir as diretrizes do clubes francês e ter a responsabilidade e a experiência de lidar com crianças, adolescentes, pais e profissionais do esporte seria algo imprescindível para complementar a formação dele como profissional do futebol.
— É muito rico, porque você vive o dia a dia da formação e da evolução dos atletas, das dúvidas e angústias que os pais têm neste período. Eu percorri muitas bases para fazer relacionamento, assimilar conhecimento e buscar a troca de informações. Diante disso, me caracterizo como um gestor que olho muito para a base. Uma das grandes receitas para sustentabilidade dos clubes é a base e a ideia é ter uma formação forte para fomento do futebol profissional.
Chance no Criciúma e oportunidade do Sport
Hudson chega ao Leão da Ilha credenciado pelo que fez em Santa Catarina. De novo ao lado de Ítalo Rodrigues, com quem trabalhou no Criciúma, o ex-volante vai tentar reestruturar o futebol do Sport, assim como fez no Sul do país.
A dupla chegou ao Criciúma em meio à eliminação no Campeonato Catarinense e viu o Carvoeiro vencer só uma das nove primeiras partidas na Série B do Brasileiro. Porém a troca do comando técnico, de Zé Ricardo por Eduardo Baptista, funcionou, algumas contratações encaixaram e o time escalou rapidamente a tabela.
O Tigre, que chegou a ser vice-lanterna no começo da segunda divisão e experimentou o gosto de ser líder do torneio nda reta final, brigou pelo acesso até a última rodada. Bastava vencer o Cuiabá fora de casa para sacramentar o retorno à primeira divisão. No entanto, a derrota por 1 a 0, aliada aos outros resultados, deixou o Criciúma fora da Série A.
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Hudson fez bom trabalho à frente da direção de futebol do Criciúma — Foto: João Vitor Pereira/Criciúma E.C.
Apesar da frustração, Hudson considera que o trabalho foi um sucesso e uma grande experiência inicial na carreira dele.
— O Criciúma foi um case muito importante para mim. Eu não conhecia o clube, mas tem uma torcida apaixonada, com uma boa estrutura, tanto que é um clube-formador. Ficamos a um ponto de acesso, depois de um trabalho de recuperação que tirou a gente da penúltima colocação para chegar a liderar o torneio na reta final. Foi uma experiência muito rica — analisou.
Hudson começou o trabalho no Sport no dia 23 de dezembro, mas as conversas estão frenéticas com todos os setores do clube, que contratou o técnico Roger Silva, ex-centrovante de Corinthians, Botafogo, São Paulo, Palmeiras, Internaiconal e outros clubes do futebol brasileiro.
O novo gerente de futebol entende que p trabalho será árduo no começo, momento em que a diretoria vai precisar fazer ajustes financeiros. Porém, ele demonstra confiança de que em um segundo momento, com a casa em ordem, os resultados apareçam em campo.
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Técnico Roger Silva) e presidente do Sport, Matheus Souto Maior, vão trabalhar na reestruturação do Leão ao lado de Hudson Santos — Foto: Igor Cysneiros/ Sport
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