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Após discutirmos sobre três atributos da Atenção Primária à Saúde (APS) nesta série de textos aqui no Portal PEBMED, chegamos ao momento de conversarmos sobre o quarto e último entre os chamados “essenciais”. A coordenação (ou coordenação do cuidado) é um atributo importante – primeiramente porque, sem ele, fica inviabilizado o alcance da integralidade, do acesso e da longitudinalidade.
Ela denota a articulação do sistema de saúde, pelo médico de família e pelas equipes de APS, realizando a “gestão” da saúde do paciente através da informação e da comunicação.
Atributos da Atenção Primária
A APS caracteriza-se como a porta de entrada do sistema de saúde, como já vimos. Assim, todos os tipos de problemas e doenças podem ser esperados nesse nível de atenção, nos mais variados graus de complexidade.
Como nem todos serão resolvidos sem a necessidade de serem referenciados a outros pontos da rede, isso significa que há uma premência pela articulação e integração entre os serviços que prestam cuidados ao paciente. A equipe de APS possui a função de coordenar essa dinâmica, sendo o ponto central de referência para os cuidados recebidos pelo paciente.
Podemos perceber, desse modo, que a disponibilidade de informação e sua troca são essenciais para que o cuidado possa ser coordenado. Isso significa qualidade nos registros clínicos pelo médico de família e por outros profissionais de saúde; fácil acesso a informações sobre as ações de saúde empreendidas para o paciente, por todos os serviços pelos quais ele passou; e mecanismos e espaços de troca, como momentos de discussão de casos, contatos telefônicos, ou por outros meios eletrônicos, entre profissionais envolvidos no cuidado ao paciente.
Leia também: Como organizar o registro de uma consulta na Atenção Primária?
Além disso, é consenso que devem ser utilizados, para registros, prontuários eletrônicos, idealmente integrados entre os níveis de atenção.
Coordenação do cuidado
A coordenação deve existir na prática diária dos profissionais da APS em diferentes contextos. As informações como consultas e resultados de exames devem estar disponíveis: dentro de uma mesma unidade para todos os profissionais (médicos, enfermeiros, psicólogos, etc.); em casos de atendimentos de matriciamento ou de consultoria por profissionais externos; e para os encaminhamentos (referências) para especialistas e outros serviços.
Dessa maneira, a referência e a contrarreferência mostram-se como recursos para coordenar o cuidado. Como a realidade, no Brasil, ainda não é de um sistema informatizado integrado, a comunicação entre APS e especialistas deve se dar através dessa ferramenta. A referência é o encaminhamento do médico da APS ao especialista, com as informações pertinentes, e a contrarreferência é o retorno do paciente ao médico de família com as orientações de seguimento.
Evita-se, inclusive, o termo “encaminhamento”, uma vez que a equipe de APS continuará a acompanhar o paciente mesmo após ser referenciado a um especialista. Uma pessoa com artrite reumatoide pode, por exemplo, ser referenciada a um reumatologista, mas o seu acompanhamento geral, bem como para o caso de uma gravidez, de um transtorno de ansiedade ou de um hipotireoidismo continuarão a ser realizados na APS.
Mais do que uma boa gestão de informações, a coordenação significa gerir bem a saúde do paciente como um todo. Como a longitudinalidade, conforme já vimos, pressupõe o acompanhamento do paciente ao longo do tempo pela APS, ela torna-se o ponto central e a fonte habitual desse cuidado.
O médico de família e sua equipe devem não só coordenar a trajetória do paciente entre outros níveis de atenção, mas também dentro da própria unidade. Fazem isso através da gestão de casos, das linhas de cuidado e da correta aplicação de protocolos e diretrizes clínicas, envolvendo, quando preciso, equipes de matriciamento (como o Núcleo de Apoio à Saúde da Família, o NASF) e realizando discussão de casos em equipe.
O cuidado de um paciente é bem coordenado quando é referenciado e mantém seu acompanhamento na APS, mas não somente por isso. É preciso atuar oportunamente com ações preventivas, investigar agravos de acordo com as indicações formais e tratar devidamente os problemas de saúde, mantendo vigilância ativa e atuando quando necessário.
Confira mais da série:
- Atributos da atenção primária: contribuição da longitudinalidade
- Atributos da Atenção Primária: como dar acesso de verdade?
- Atributos da Atenção Primária: integralidade e abrangência
*Essa é uma série de artigos. Fique de olho no Portal PEBMED para ver os próximos textos!
Autor:
Graduação em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF) ⦁ Residência em Medicina de Família e Comunidade pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e em Administração em Saúde (UERJ) ⦁ Mestre em Saúde da Família (UFF) ⦁ Doutorando em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz) ⦁ Professor da disciplina de Saúde da Família e gerente do Centro de Saúde Escola Lapa da Faculdade de Medicina da Universidade Estácio de Sá
Referências bibliográficas:
- Starfield B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: UNESCO; 2002.
- Duncan, B .B. Schmidt, M. I.; Giuliani, E. R. J. Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências. Capítulo 4: Organização de Serviços de Atenção Primária à Saúde. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
- Gusso G, Lopes JMC. Tratado de Medicina de Família e Comunidade – 2a edição. Cap. 4: Atenção primária à saúde. Editora Artmed, 2019.
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