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Visão de Fato

OPINIÃO JOGO ABERTO: 07/08/2017

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O pior mês do desgosto e do cachorro louco.

Crenças não se referem apenas ao mágico-religioso porque orientam nosso comportamento em todas as esferas privadas e públicas, materiais e espirituais. Crer é aceitar uma ideologia, técnica, atitude ou desgraça, como resposta inevitável às dificuldades ou aspirações humanas porque ela está ajustada às expectativas em relação à ordem cósmica de difícil compreensão.

Elas não são exclusivas de carentes entre povos atrasados; existem também entre eruditos de países avançados, inspirando argumentos para justificar fatos alheios ao conhecimento técnico-científico que não responde a todas as aflições humanas e continua impotente diante de cataclismos e ações nefastas de líderes sanguinários.

Há, portanto, inadequação dos vocábulos “superstição” e “crendice”, que indicam preconceito em relação a pobres, analfabetos e seguidores de religiões rejeitadas por grupos hegemônicos. Afinal, intelectuais, nobres e ricos acreditam em almas gêmeas e predestinação e tratam suas angústias no divã de psicanalistas. Eles mantêm fé inquebrantável na ciência, sem discutir seus postulados, mesmo sendo efêmeros e frágeis.

Assim, muitos brasileiros rejeitam o mês de agosto, rotulado como mês do desgosto e do cachorro louco. Trata-se de um período em que os efeitos negativos do inverno atingem seu ponto máximo.

A vegetação está seca, faz frio, e venta muito. Antes da vacinação antirrábica, a hidrofobia grassava entre os cachorros nesta época. Predominou, então, a explicação de que ele traz doença, morte e infelicidade, recomendando que se evitem decisões importantes, como casamento, mudança de residência e novo negócio.

A mídia tem fomentado esse preconceito, citando desgraças acontecidas nesse período, como o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954; a renúncia de Jânio Quadros, em 1961; e a morte de Juscelino Kubitschek, em 1976. Ninguém se lembra de tragédias em outros meses, como a execução de Tiradentes, o banimento da família imperial, o golpe militar de 1964, a edição do AI-5, o pacote de abril e a morte de Tancredo Neves. Ou seja, a crença obscurece o raciocínio e alimenta o medo de que outras catástrofes são inevitáveis em todos os anos.

O mau agouro está mais pesado em 2017, porque há uma grave crise político-econômica desencadeada por muitos casos de corrupção. Isso gerou descrédito generalizado das autoridades, que tem repercutido nas instituições. Não reconhecemos, agora, uma liderança que assegure governabilidade, sem perder de vista o cumprimento da Constituição Federal e a correta gestão do patrimônio público. Pelo contrário, a Câmara dos Deputados transformou-se em circo mambembe, mais uma vez, na última quarta-feira, enquanto decidia sobre a admissibilidade de investigação do presidente da República. Isso se repetirá até o final de 2018, porque eles vão manter sua postura.

Assim, tudo indica que o mês do desgosto terá dolorosa prorrogação, comprometendo severamente o futuro do país.

Fonte: Por Marco  Aurelio

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